Desaceleração chinesa tem sido menos intensa, diz Bradesco

S O PAULO, 13 de setembro de 2010 - A desaceleração da economia chinesa tem se mostrado menos intensa do que se imaginava há alguns meses. "A tendência de arrefecimento da economia da China tem se dado em ritmo moderado, ao contrário do que esperávamos há alguns meses", afirma o Departamento Econômico do Bradesco. Segundo a análise da instituição, os dados mais recentes mostraram que a deterioração tem sido menos intenso, em grande medida, sustentada pela demanda doméstica aquecida e pela resiliência do setor imobiliário que, mesmo após diversas medidas restritivas implementadas desde abril, continua se mantendo em patamar elevado.

"Por outro lado, a inflação ao consumidor permanece acelerando, puxada quase que exclusivamente pelos preços de alimentos [devido às intensas enchentes ocorridas no país]. O banco afirma que da bateria de dados referentes a agosto, divulgada na madrugada de sexta-feira (10) para sábado, o desempenho da produção industrial foi uma surpresa positiva - que mostrou crescimento interanual de 13,9% ante expectativa de 13% - e a inflação ao consumidor que subiu 3,5% em relação a agosto do ano passado, em linha com o esperado acelerando ante julho (3,3%) por conta da alta de 7,5% dos preços de alimentos.

"Somado a isso, os investimentos em ativo fixos e as vendas nominais do varejo apresentaram resultado forte, com altas interanuais de 24,2% e 18,4%, respectivamente", disse.

Os preços ao produtor mantiveram a tendência de descompressão de uma alta de 4,8% em julho para 4,3% em agosto. "Ademais, as concessões mensais de crédito somaram RMB 545,2 bilhões, levemente acima do esperado, mas ainda compatível com a meta anual de crédito. Por ora, finalmente, não acreditamos que esse conjunto de dados seja forte o suficiente para apostarmos em uma nova aceleração da economia chinesa, mas certamente as notícias ruins vindas da China deverão cessar nos próximos meses".

(SV - Agência IN)