Para OCDE recuperação econômica pode ser mais lenta que o previsto

Agência AFP

PARIS - A recuperação da economia mundial pode ser mais lenta que o previsto, sem estar claro no momento se a atual paralisia será duradoura ou temporária, afirma um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) divulgado nesta quinta-feira.

A afirmação está na avaliação sobre as perspectivas econômicas da organização, que reúne 33 países, entre eles os mais ricos do mundo.

No fim de maio, a OCDE havia previsto um salto "mais dinâmico" da economia mundial, com um crescimento de 2,7% em 2010 e de 2,8% em 2011 nos países da organização.

Mas o novo relatório não inclui novas previsões anuais e considera que o crescimento das economias do G7 (os países mais ricos do planeta: Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha) pode cair a 1,5% em ritmo anual no segundo semestre do ano, depois de uma alta de 3,2% no primeiro trimestre e de 2,5% no segundo.

O documento da OCDE destaca que "incertezas consideráveis" pesam sobre a reativação econômica, como por exemplo a evolução do consumo privado, que pode ser contido por novos ajustes nos gastos residenciais em consequência de um elevado índice de desemprgo e das dúvidas sobre a solidez da economia.

"Ainda é difícil dizer se a paralisia da recuperação é temporária", adverte o economista chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan.

Segundo Padoan, um "estancamento duradouro" poderia "justificar um respaldo monetário suplementar", com um compromisso de manter as taxas de juros a um nível próximo de zero durante um longo período.

"Neste caso, o saneamento fiscal pode ser um pouco mais lento que o previsto nos países onde o estado das finanças públicas permitir", afirma o organismo com sede em Paris.