Pacote econômico nos EUA deve manter bom-humor

S O PAULO, 9 de setembro de 2010 - A expectativa pelo anúncio de um novo pacote de estímulo para a economia norte-americana deve seguir guiando positivamente os negócios mundo afora, nesta quinta-feira.

"A agenda de hoje está fraca. Dentre os destaques, estão os dados da balança comercial dos Estados Unidos além de números sobre o mercado de trabalho do país. A expectativa é de déficit alto, e dados de emprego em linha com os da semana passada. Mas isso já ficou como notícia velha. Enquanto que a confirmação do pacote de estímulo poderá vir a dar sustentação ao mercado", disse André Perfeito, economista da Gradual Corretora.

Segundo ele, o valor do conjunto de medidas em favor da economia do país seria de US$ 200 milhões.

Na Europa, os índices acionários confirmam a tendência positiva do dia, mesmo que tímida. Há pouco, o índice FTSE-100, de Londres, avançava de 0,80% aos 5.473 pontos. O CAC-40, de Paris, tinha acréscimo de 0,52%, aos 3.696 pontos e o DAX, de Frankfurt, subia 0,42% aos 6.190 pontos.

No continente, hoje o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) anunciou hoje a manutenção da taxa básica de juros do Reino Unido em 0,5% ao ano. A comissão também votou pela continuidade do programa de compras de ativos financiados mediante a emissão de reservas dos bancos centrais no valor de 200 bilhões de libras esterlinas. A redução da taxa para 0,5% foi feita em 05 de março de 2009, assim como o início da compra de ativos.

Na Ásia, os mercados acionários encerram em tendência positiva. Acompanhando boas notícias na Europa e nos Estados Unidos.

Em Portugal e na Polônia, os leilões de títulos realizados para amenizar a situação da dívida pública europeia acabaram com resultados animadores, reduzindo assim, a preocupação do mercado com o cenário do crédito nas economias menores do continente.

Nos Estados Unidos, o índice Wall Street teve um bom desempenho, impulsionado pelo anúncio do FED, de que a economia do País apresentou crescimento até meados de julho, o que diminuiu em parte a desconfiança em relação a recuperação econômica norte-americana.

Com isso, ações de empresas asiáticas que possuem boa parte do mercado nos Estados Unidos foram puxadas para cima, como por exemplo, Sumitomo Corporation e Mitsubishi Corporation, Canon e Mazda.

Porém, os ganhos foram limitados, em função da contínua alta do iene e a expectativa cautelosa dos investidores em relação a dívida pública na Europa, mesmo com os dados positivos divulgados no dia de hoje.

Assim, em Tóquio, o índice Nikkei 225 subiu 0,82%, para 9.098,39 pontos. Em Seul, o índice Kospi subiu 0,29%, para 1.784,36 pontos, e em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,37%, para 21.167,27 pontos. Contrariando o movimento da região, a bolsa de Xangai fechou o pregão com perdas, com o índice Xangai Composto recuando 1,44%, para 2.656,35 pontos.

Internamente, destaque para dados de inflação, hoje foi revelado que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,4% em agosto, contra 0,1% em julho.

E o Banco Central divulgou, em Ata, que a recuperação da economia global continua sendo liderada pelas economias emergentes, mas acumulam-se indícios de que a intensidade desse processo poderá ser menor do que se antecipava.

Segundo a autoridade monetária, a economia norte-americana registra sinais de enfraquecimento, evidenciando que a recuperação em curso deverá ser mais lenta do que se vislumbrava anteriormente, não se descartando por completo a possibilidade de reversão.

Internamente, em relação à manutenção da taxa Selic (em 10,75% ao ano), a instituição aponta que reduziram-se os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas, o que, em parte, se deveu à reversão de parcela substancial dos estímulos introduzidos durante a crise financeira internacional de 2008/2009 e, de modo especial, ao ajuste da taxa básica implementado desde abril.

(Carina Urbanin - Agência IN)