Fidel admite fracasso do modelo cubano

S O PAULO, 8 de setembro de 2010 - O "modelo cubano" já não funciona, inclusive na própria ilha, admitiu o líder Fidel Castro à revista americana The Atlantic, que publica nesta quarta-feira uma entrevista com o "comandante".

"O modelo cubano nem sequer funciona para nós", confessou Fidel Castro ao jornalista Jeffrey Goldberg da The Atlantic.

Entrevistado ao longo de vários dias pelo jornalista americano, Fidel Castro adotou um tom de incomum de arrependimento sobre fatos do passado, revela a entrevista, que está sendo publicada desde a segunda-feira passada.

Castro, 84 anos, disse a Goldberg estar arrependido por ter pedido em 1962 ao líder soviético Nikita Kruschev, durante a crise dos mísseis, que atacasse os Estados Unidos com armas nucleares caso fosse preciso.

O ex-presidente cubano voltou recentemente à vida pública, particularmente para alertar sobre o risco de uma guerra nuclear no Oriente Médio devido à queda de braço entre Israel e Irã.

Na mesma entrevista, Fidel criticou a retórica antissemita usada pelo presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad: "Não acredito que alguém tenha sido mais difamado que os judeus. Diria que muito mais do que os muçulmanos. Foram mais difamados que os muçulmanos porque são acusados e caluniados por tudo. Ninguém culpa os muçulmanos de nada".

"Os judeus tiveram uma vida muito mais dura do que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto".

Segundo o líder cubano, o governo iraniano contribuiria para a paz se tentasse entender porque os israelenses temem por sua existência.

Goldberg foi convidado pelo próprio Fidel, que se interessou por um artigo seu sobre as tensões entre Irã e Israel.

(Redação com AFP - Agência IN)