Produção pauta negócios, enquanto mercado aguarda Copom

S O PAULO, 31 de agosto de 2010 - A produção industrial brasileira foi destaque da agenda doméstica desta terça-feira, enquanto os investidores aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em relação ao rumo da taxa Selic, fixada em 10,75% ao ano.

A produção industrial avançou 0,4% frente a junho, na série livre de influências sazonais, após três meses consecutivos de queda. Outro dado divulgado foi o Índice de Confiança da Indústria (ICI) que se reduziu em 0,6% entre julho e agosto de 2010, ao passar de 113,6 para 112,9 pontos, considerando-se dados com ajuste sazonal.

Os dados da produção reforçam a expectativa do mercado de manutenção da Selic. O Copom inicia hoje a reunião de dois dias para determinar a taxa básica de juros do país. Boa parte dos economistas do setor financeiro espera a manutenção dos juros, mas uma parcela ainda não descarta as possibilidades de um ajuste entre 0,25 e 0,50 ponto percentual.

Apesar de o mercado estimar manutenção da taxa Selic, Newton Rosa, economista-chefe da Sul America Investimentos acredita em uma alta de 0,25 ponto percentual, finalizando o atual aperto monetário com a Selic em 11,0% ao ano. "Uma atividade mais fraca e baixas pressões inflacionárias respaldariam a decisão", avalia.

Já o Departamento Econômico do Bradesco acredita que o colegiado do Banco Central (BC) deverá interromper o ciclo de aperto da política monetária, mas sem tirar do radar os riscos existentes.

A equipe econômica do Bradesco avalia que o Comitê encontrará um quadro no qual o viés do cenário global é ainda mais desinflacionário do que o prevalecente em julho, enquanto a retomada do crescimento doméstico neste terceiro trimestre tem sido moderada e em linha com a expansão potencial da economia, sem apresentar pressões inflacionárias. "Nesse contexto, o colegiado deverá decidir pela manutenção da taxa básica de juros no atual patamar que, a nosso ver, deverá ser mantido nas reuniões subsequentes que ocorrerão neste ano. Naturalmente, há riscos a esse cenário de recuperação não inflacionária do crescimento, sobretudo advindos de um mercado de trabalho que continua robusto", ressalta o documento da instituição.

Na BM&FBovespa o dia foi de queda nas projeções de juros futuros. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 projetou juro de 10,70%, contra 10,71% do ajuste anterior. Janeiro de 2012 apontou taxa anual de 11,29%, frente aos 11,43% da véspera.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)