MPF-SP denuncia entidade ligada à Universal

S O PAULO, 8 de setembro de 2010 - O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) informou hoje que ofereceu denúncia contra dez pessoas acusadas de envolvimento com a Máfia das Sanguessugas. No caso, a entidade Beneficente Cristã (ABC), fundada em 1994 e ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, elaborou procedimento licitatório fraudulento visando a aquisição de sete unidades móveis de saúde, apresentando informações falsas ao Ministério da Saúde e direcionou as compras à empresas ligadas à denominada "Máfia dos Sanguessugas".

As emendas orçamentárias que possibilitaram os recursos para os convênios visando a compra das ambulâncias foram propostas por quatro ex-deputados federais da bancada evangélica, todos ligados à IURD.

Segundo a denúncia do MPF, distribuída à 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, somente nesses quatro convênios, celebrados entre 2002 e 2005, o esquema criminoso teria causado prejuízos aos cofres públicos que, em valores atuais, superam R$ 2,1 milhões.

A Operação Sanguessuga, realizada pela Polícia Federal em Mato Grosso, apurou, em síntese, um esquema gigantesco de fraudes a licitações no Ministério da Saúde, liderado pelos sócios da empresa Planam, sediada naquele Estado, com desvio de recursos públicos para pagamentos a parlamentares que propusessem emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias para prefeituras ou organizações sociais.

As licitações para as compras dos veículos eram todas acertadas com empresas ligadas ao esquema e as propostas de convênio feitas em conluio entre os principais responsáveis pela empresa Planam e a prefeitura ou entidade social beneficiada. Geralmente, as ambulâncias não vinham com os equipamentos médicos ou odontológicos necessários e o dinheiro que seria destinado aos equipamentos não adquiridos rateado entre os participantes de cada esquema.

No caso específico, os denunciados Darci Vedoin, sua esposa, Cléia Vedoin e seu filho, Luiz Antônio Trevisan Vedoin, os três sócios da Planam, e o empresário Ronildo Pereira Medeiros, a eles ligado, se associaram ao ex-diretor da ABC, Randal Ferreira de Brito, e ao ex-presidente da entidade, Saulo Rodrigues da Silva, atualmente no exercício do cargo de vereador em Ribeirão Preto, para que a ABC celebrasse quatro convênios com o Ministério da Saúde, mediante informações falsas.

A entidade informou falsamente ser dedicada à saúde, que faria milhares de atendimentos por mês, possuiria diversos profissionais da área médica, além de leitos no SUS, o que justificaria o gasto com ambulâncias.

Para obter os recursos, a ABC contou com a atuação dos ex-deputados federais Wagner Salustiano, Marcos Roberto Abramo, Bispo Vandeval e João Batista Ramos da Silva, todos da bancada evangélica e ligados à Igreja Universal do Reino de Deus, que apresentaram emendas que previam recursos para a compra dos veículos para a ABC. Fundada em 1994, a ABC era apresentada no site da Igreja como entidade sem fins lucrativos tendo como parceira a Iurd. Os responsáveis pela entidade muitas vezes eram pastores e bispos da igreja.

(Redação - Agência IN)