Instabilidade externa estimula avanço do dólar

S O PAULO, 23 de agosto de 2010 - Os compradores seguiram pautando a formação da taxa de câmbio neste início de semana diante da instabilidade da cena externa. Após abrir com desvalorização a moeda norte-americana inverteu posição, fechando com avanço de 0,46%, cotada a R$ 1,765 para venda. Mantendo a rotina, o Banco Central (BC) comprou dólares no mercado à vista a uma taxa média de R$ 1,765.

Pode-se observar os lados, os entornos e até vislumbrar-se um sinal positivo muito pontual aqui ou acolá, mas o fato é que o foco central está nos Estados Unidos, e enquanto a economia norte-americana não conseguir produzir indicadores de recuperação sustentáveis, todo o mais não conseguirá também ter confiáveis níveis de recuperação", avalia Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da NGO.

Para o executivo, a volatilidade certamente continuará predominando, com fatos positivos e negativos se alternando, mas ainda sem formar consensualmente uma tendência de recuperação.

"O Brasil, que tem mercado interno forte, começa a sentir os reflexos de um fluxo menos intenso de capitais, e que só não é maior dada à expressividade da rentabilidade que o juro brasileiro proporciona e com isto atrai investidores para renda fixa, mas é recurso que não foca o setor produtivo", ressalta o diretor.

Na pauta do dia foi divulgado o boletim Focus, mostrando que a taxa de câmbio continua projetada em R$ 1,80, mas Nehme acredita que poderá estar mais próxima de R$ 2,00. "Os bancos estão muito 'vendidos' e precisarão se cobrir e a tendência é a demanda se acentuar sobrepondo-se a oferta como tendência no último trimestre do ano", avalia.

Ainda na agenda do dia, o BC mostrou que o balanço de pagamentos do Brasil registrou superávit de US$ 1,8 bilhão em julho deste ano. No período, as transações correntes foram deficitárias em US$ 4,5 bilhões, acumulando déficit de US$ 43,8 bilhões nos últimos 12 meses, equivalentes a 2,24% do Produto Interno Bruto (PIB).

A equipe econômica do Bradesco estima que os saldos negativos em conta corrente registrem algo próximo a US$ 4 bilhões em média por mês, o que deverá se traduzir em um déficit de US$ 49,2 bilhões nas transações correntes em 2010.

A autoridade monetária informou também que o saldo da entrada e saída de dólares do país, fluxo cambial, está positivo em US$ 988 milhões neste mês, até o último dia 19.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)