Incertezas externas geram volatilidade no dólar

S O PAULO, 24 de agosto de 2010 - A insegurança provocada pelos sinais de enfraquecimento na economia global está contribuindo para a volatilidade da moeda norte-americana. Após abrir em alta de 0,91%, a divisa, há pouco, era cotada a R$1,762 para compra e R$1,764 para venda com desvalorização de 0,06%.

Dados sobre a economia norte-americana estão sendo avaliados e os investidores temem que os EUA e o resto do mundo voltem a registrar recessão. Hoje foi informado que as vendas de imóveis usados nos Estados Unidos despencaram 27,2% em julho de 2010, com ajustes sazonais, para uma taxa anualizada de 3,83 milhões de unidades. Já na comparação com julho de 2009, o índice ficou 25,5% abaixo, que registrara 5,14 milhões de unidades vendidas.

Além da influência dos mercados internacionais, por aqui, a possibilidade da taxa Selic ficar estável em 10,75% ao ano, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) também pressiona o dólar.

Os investidores monitoram ainda notícias de ontem à noite. A Vale negou que esteja em negociações ou que tenha feito proposta para comprar a indústria de fertilizantes canadense Potash. E, a mídia divulgou, que o prospecto da oferta de ações da Petrobras deve ser colocado no mercado no dia 16 ou 17, para a conclusão da capitalização até o fim de setembro.

Vale ressaltar que dados de julho sobre os gastos de brasileiros no exterior (despesas de viagens ou compras pela internet) bateram recorde. De acordo com o Banco Central, o valor superou US$ 1,5 bilhão. Para Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, a boa situação econômica do Brasil e o dólar fraco alavancaram estes índices.

"No entanto, é importante entender que há um processo de internacionalização do Brasil em todos os campos, inclusive o turístico. O País sempre foi destino de turistas. Inverter este quadro não é uma tarefa fácil. Bom será quando conseguirmos mandar turistas para o exterior da mesma maneira que recebemos aqui. O importante é o fluxo continuo de entradas e saídas, como é na Europa", ressalta Furtado.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)