Discurso de Bernanke e PIB dos EUA trazem alívio a Wall Street

S O PAULO, 27 de agosto de 2010 - A volatilidade marcou a semana em Wall Street. Nesta sexta-feira, diante da leitura positiva do discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, as principais bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam com expressivos ganhos. Além disso, o mercado reagiu com otimismo ao anúncio da revisão do Produto Intero Bruto (PIB) a níveis melhores que o esperado, apesar de oficialmente as projeções mostrarem que Washington aguarda crescimento bem abaixo do originalmente previsto.

Ao final do pregão, em Nova York, o índice Dow Jones Industrial Average subiu 1,65%, aos 10.150 pontos. O S&P 500 teve valorização de 1,66%, aos 1.064 pontos. E na bolsa eletrônica, o índice composto Nasdaq avançou 1,65%, aos 2.153 pontos.

O discurso de Ben Bernanke colaborou para diluir o receio dos mercados e elevou as compras nas principais praças acionárias globais, contribuindo para ganhos elevados em Wall Street. A ultrapassagem da barreira psicológica dos 1.040 pontos do S&P 500 forneceu ferramentas para que os investidores buscassem papéis do setor imobiliário e de consumo, enfraquecidos desde o início da semana.

Além disso, a melhora nos principais ativos globais teve como estímulo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, revisado para 1,6% no segundo trimestre deste ano. A prévia do indicador tinha sido de 2,4%. A revisão veio melhor do que o esperado por analistas, que estimavam expansão de 1,4%.

"A expectativa sobre o discurso do Bernanke era muito grande e desta vez, ao contrário do ocorrido no dia 10 de agosto, a autoridade conseguiu que os investidores tivessem uma avaliação positiva sobre o olhar do Fed e a condução da política monetária. O argumento bem construído o fez ganhar tempo para que, como dito em discurso, promova algum tipo de estímulo caso a economia continue patinando", analisa Gabriel Goulart, economista da Mercatto Investimentos.

Segundo ele, a revisão do PIB contribuiu para o efeito no mercado, mas o que impulsionou os dados para terreno positivo foi o fato de Bernanke ter conseguido deixar a impressão que está presente, tentando criar um consenso sobre a necessidade de atuar no momento mais adequado e não sob qualquer intempérie.

No final dos negócios, no S&P 500, as ações dos setores imobiliários, de consumo, commodities e tecnologia subiram mais de 2,5%.

O bom humor dos agentes foi elevado o suficiente para deixar de lado a queda registrada na confiança do consumidor norte-americano. Pela manhã, a Universidade de Michigan informou que o indicador caiu para 68,9 pontos em agosto contra a leitura de 69,9 pontos do mês anterior. O dado também ficou abaixo do esperado pelo mercado, que estimava expansão para 70 pontos.

(Sérgio Vieira - Agência IN)