Crise mundial faz britânicos repensarem hábitos de consumo

S O PAULO, 8 de setembro de 2010 - Uma pesquisa recente apontou que a crise econômica mundial trouxe à tona valores tradicionais no consumo e no estilo de vida dos britânicos. Cerca de 84,4% dos homens e 80,4% das mulheres responderam que, no último ano, o fator determinante para a aquisição de produtos foi o value for money (custo-benefício), ou seja, o máximo em benefícios nos bens e serviços adquiridos com os recursos financeiros disponíveis.

Embora diga respeito ao consumidor britânico, o comportamento detectado pela pesquisa, que conta com edições anuais, oferece indícios importantes sobre a mudança da relação do consumidor com as marcas. Os resultados indicam a tendência de "repensar o consumo", uma prática que pode se tornar padrão em diversos países.

Para detectar a percepção que os brasileiros têm das marcas nacionais e internacionais de diversos segmentos, além do impacto da crise econômica mundial nas relações de consumo no País, Voltage e Bridge Research - respectivamente, agência produtora de insights aplicáveis ao negócio; e empresa de pesquisa de mercado com foco na prestação de serviços de inteligência na área de tecnologia - estão conduzindo a Brand ID, edição nacional da pesquisa. Segundo Paulo Al-Assal, diretor-geral da Voltage, a pesquisa estará concluída no final do mês de setembro.

"Nos moldes da pesquisa inglesa, mas dentro do contexto brasileiro, a pesquisa contará com 1.500 entrevistas, a serem aplicadas nas principais capitais do País", detalha o executivo.

Ao analisar os atributos das marcas, ou seja, as razões pessoais para consumi-las, 76% dos entrevistados na edição inglesa da Brand Personality priorizaram o quesito custo-benefício, ou seja, adquiriram um produto com valor correspondente ao preço. Nesse aspecto, o valor do produto - conforme indica a pesquisa - é um pacote muito mais complexo do que o preço considerado de forma isolada.

A pesquisa revelou que apenas 4,8% dos entrevistados citaram a ética da marca; e 2,3% o serviço prestado. Ao responderem à questão da motivação em consumir determinada marca, 27,3% afirmaram predisposição a comprar uma marca que não está entre as prediletas, motivados por custo-benefício que consideram adequados.

No que se refere à imagem de marcas ligadas a boas práticas socioambientais, 11,2% das mulheres e 9,2% dos homens consideram esse engajamento determinante para a decisão de consumo, percentuais em queda na comparação com análises anteriores. "No total de entrevistados, especialmente os jovens, 6,5% se classificam como consumidores conscientes, ou seja, condicionam a aquisição à postura socialmente correta e privilegiam marcas éticas, além do comércio justo e solidário", detalha Paulo Al-Assal.

Nos últimos anos, os investimentos realizados pelas marcas em embalagem, design de lojas, serviços adicionais e produtos inéditos - considerados diferenciais competitivos - hoje são, na percepção do consumidor britânico, "enfeites complementares que não substituem o básico".

O retorno a valores tradicionais fica claro nas respostas sobre qual palavra melhor expressa as características preferidas das marcas consumidas: amigável (46%), pessoal (33,2%), local (31,2%), simples (30%) e, na sequência, barata. Palavras como global e design foram praticamente esquecidas. Convidados a criar um ranking das 70 marcas com as quais têm maior familiaridade, os entrevistados mostraram que "valores humanos" - responsabilidade, transparência e honestidade - permeiam as marcas com maior pontuação.

As marcas ligadas à telefonia, tecnologia e bancos aparecem abaixo no ranking; mais um sinal claro da volta dos valores tradicionais. "Nesse caso específico, temos como exceção as que souberam utilizar a social media para conquistar clientes, tais como o Co-Operative Bank e o First Direct. Uma análise pertinente é que os resultados negativos podem estar ligados a mensagens incorretas, passadas pelas propagandas das empresas", afirma Al-Assal.

(Redação - Agência IN)