Cresce número de fusões nos países em desenvolvimento

S O PAULO, 27 de agosto de 2010 - As empresas de economias emergentes estão adotando uma postura cada vez mais consolidadora no que diz respeito ao cenário de fusões e aquisições. Estudo internacional da KPMG mostra que as transações internacionais realizadas pelos emergentes nos últimos seis meses vêm crescendo de maneira significativa.

De acordo com a pesquisa - que monitora os negócios realizados entre 15 economias desenvolvidas e 13 economias emergentes - foram realizadas 243 transações no sentido de emergente-desenvolvido no primeiro semestre de 2010, contra 194 acordos no segundo semestre de 2009, crescimento de 25%.

Este aumento deve-se muito ao ressurgimento da Índia no cenário de F&A. Após três semestres de relativamente pouca movimentação, as empresas indianas realizaram 50 negócios em economias desenvolvidas - número superior aos 21 nos seis meses anteriores. A China também apresentou um crescimento, embora mais moderado, de 30 para 39 neste mesmo período, enquanto o Sudeste Asiático saltou de 34 para 47.

Do outro lado da equação, o levantamento registrou 748 operações no sentido desenvolvido-emergente nos últimos seis meses, um aumento de 9% em relação ao semestre anterior, quando foram realizados 687 acordos.

"O levantamento internacional sugere que o nível de confiança para realização de aquisições está retornando mais rápido nas economias emergentes do que nos mercados desenvolvidos. Em termos absolutos, os negócios no sentido emergente-desenvolvido ainda representam apenas 32% do total de negócios desenvolvidos-emergentes nos últimos seis meses, mas fica óbvio que eles se recuperaram da crise financeira de maneira mais rápida. Por outro lado, é possível perceber que compradores de empresas de economias desenvolvidas ainda estão um pouco mais receosos em voltar à atividade de fusões e aquisições antes que todas as dúvidas sobre o cenário atual sejam dissipadas", ressalta Luís Motta.

A pesquisa também constata que as empresas brasileiras mantiveram sua atividade de aquisições em países desenvolvidos no mesmo nível do segundo semestre de 2009 e que o número de aquisições de empresas brasileiras por empresas de países desenvolvidos cresceu 52%, totalizando neste semestre 44 transações.

Esses números corroboram dados de outra pesquisa sobre o panorama de F&A realizada pela KPMG no Brasil que apresentou um forte crescimento de aquisição de empresas brasileiras por estrangeiras, principalmente, no segundo trimestre de 2010. Ainda com base nesse levantamento, as aquisições feitas por empresas brasileiras em países emergentes apresentaram crescimento de 83% no primeiro semestre de 2010 em relação ao segundo semestre de 2009, subindo de 12 para 22 transações. 'O Brasil também tem criado a desde 2003 empresas multinacionais que passaram a competir de forma significativa no cenário internacional', conclui Motta.

(Redação - Agência IN)