Consenso de manutenção da Selic deixa DI estável no curto

S O PAULO, 23 de agosto de 2010 - O mercado de renda fixa iniciou a semana com consenso estabelecido de que não há espaço para novos aumentos da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que acontece na próxima semana. O movimento na curva de juros futuros continua sendo de estabilidade no curto prazo e queda nos prazos mais longos por conta da piora na percepção da economia global.

Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 projetou juro de 10,68%, ante 10,67% do ajuste anterior. O DI de janeiro de 2017 apontou taxa anual de 11,14%, contra 11,26% do último fechamento.

Operadores de renda fixa avaliam que a ponta mais curta da curva de juros sinaliza que o ciclo de aperto monetário chegou ao fim com a taxa Selic em 10,75% ao ano. Já no longo prazo a curva é mais sensível ao cenário externo que revela crescimento econômico mundial menor e juros baixos por mais tempo.

Para a equipe econômica do banco Fibra, mesmo com um quadro benigno para a inflação no curto prazo, é prematuro assumir o recuo das taxas de crescimento econômico para o potencial, e/ou o final do descompasso entre as condições de oferta e demanda.

A equipe segue, portanto, com o cenário de que o Banco Central (BC) deve levar em consideração as incertezas externas e dar por encerrado o ciclo de aperto na próxima reunião, mas retomar com altas de juros ainda no primeiro trimestre de 2011.

Vale ressaltar que a elevação dos preços internacionais de commodities e, principalmente, os riscos presentes no cenário prospectivo da inflação de serviços continuam a sugerir dificuldades à frente.

Na agenda doméstica desta segunda-feira foi informado que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de 22 de agosto deste ano registrou deflação de 0,17%. Na sequência foi divulgado o boletim Focus revelando que a estimativa de inflação (IPCA) para 2010 recuou para 5,10%, ante 5,19% na semana passada. Em relação às apostas para a taxa básica de juros (Selic), os analistas recuaram as projeções deste ano para 10,75% frente os 11% da previsão da semana anterior.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)