China, Índia e Brasil vão acentuar produção mundial de aço

S O PAULO, 23 de agosto de 2010 - Apesar dos sinais de desaquecimento da economia mundial, a produção de aço irá seguir forte em 2010, decorrente do crescimento das economias de países emergentes, com destaque para China, Índia e Brasil. A produção de aço a partir de julho de 2008 declinou, se acentuando no começo de 2009 e entrando em recuperação a partir do segundo semestre do ano passado. Mesmo com a piora do cenário econômico - que levou a queda já esperada na produção de aço em junho e julho - a sinalização é de que ainda vai se manterá o quadro de forte produção mundial do setor siderúrgico como reflexo da melhora da demanda mundial por bens de capital, analisa Pedro Galdi, economista chefe da SLW Corretora.

"Em nossa visão, este movimento vai continuar sendo observado nos próximos anos, considerando a retomada da atividade industrial mundial e a recuperação das economias dos países desenvolvidos", avalia o economista.

Segundo dados divulgados pela World Steel, a produção mundial de aço no mês de julho de 2010 atingiu 115 milhões de toneladas, volume 15% superior ao obtido no mesmo mês de 2009, período que foi altamente afetado pela crise econômica global.

"Contudo, quando efetuamos a comparação com o desempenho de junho de 2010, a produção mundial recuou 3%, reforçando que a economia mundial realmente está passando por um processo de ajustes e desaceleração", afirma Galdi. No acumulado dos primeiros sete meses de 2010, a produção atingiu 822 milhões de toneladas de aço bruto, avanço de 26% sobre o mesmo período de 2009.

No caso do Brasil, diferente da situação de outras regiões do planeta, a consultoria afirma que o País escapou da redução de produção de aço, atingindo em julho de 2010 um volume de 3 milhões de toneladas, ou alta de 4% sobre junho de 2010. "Apesar do aumento da produção, o Brasil continua participando com modestos 2% da produção de aço bruto no mundo. Acreditamos que assim que os novos projetos siderúrgicos que estão sendo instalados, como no caso da Cia. Atlântica no Rio de Janeiro e caso as novas usinas siderúrgicas da Vale, sejam implementadas o país poderá ampliar sua capacidade dos atuais 42 milhões de toneladas/ano para 77 milhões de toneladas em meados de 2016", avalia o economista. No acumulado do ano, o País produziu 19 milhões de toneladas, avanço de 48% sobre o mesmo período de 2009.

No caso da China, vetor importante global devido a sua inerente necessidade de importação de commodities (tanto as energéticas quanto as alimentícias), sua posição continou como a de maior produtora de aço do mundo, mas em julho de 2010 sua produção atingiu 52 milhões de toneladas, recuo de 4% sobre o mês anterior. "Sendo assim, Pequim também está ajustando sua produção de aço a uma nova realidade de consumo mundial. A produção de aço chinesa até julho de 2010 atingiu 822 milhões de toneladas, ou seja, 46% de todo aço produzido no mundo no acumulado deste ano", afirmou o economista.

(SV - Agência IN)