China entra para lista de maiores destinos de açúcar brasileiro

S O PAULO, 26 de agosto de 2010 - Pela primeira vez, a China figura entre as cinco posições no ranking de destino das exportações brasileiras de açúcar, passando de 50 toneladas adquiridas na safra 2009/2010 para 514.176 toneladas até o momento, na safra 2010/2011, crescimento de mais de 1.000.000%. A impressionante cifra posiciona o país como quarto maior destino para o açúcar brasileiro, de acordo com as informações divulgadas nesta quinta-feira União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

"A China deixou de comprar de mercados mais próximos e passou a adquirir o produto brasileiro, muito por conta do Brasil estar na contramão da safra mundial. Enquanto o mundo apenas vai colher no início de outubro, o País se apresenta em condições de enviar açúcar e etanol para o exterior", afirma o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

Para Marcos Jank, presidente da instituição, chama a atenção os chineses já entrarem na quarta posição, mas lembra que com a urbanização crescente em toda a Ásia, o consumo de açúcar tende a aumentar já que também cresce a procura por produtos industrializados.

Apesar do expressivo número chinês, quem lidera o ranking é a Rússia, que importou 3% a mais na comparação entre a safra 2009/10 e 2010/11. Parte deste incremento se deve ao fato de o país estar sofrendo com a pior estiagem desde 1880, quando começaram as medições meteorológicas. A seca recorde destruiu muitas terras cultiváveis, o que causou ao setor agrícola russo perdas de 33 bilhões de rublos (US$ 1,070 bilhão).

Com queda de 47%, aparece a Índia, que importou 684.358 toneladas de açúcar, montante que lhe garante a segunda colocação. "A volatilidade nos destinos de exportação de açúcar é muito grande de ano a ano, isso não significa que está havendo perda de mercado. A Índia, por exemplo, voltou a refinar mais açúcar já que este ano as chuvas não prejudicaram a colheita de cana no país", analisa Pádua.

No mesmo período, o País embarcou para o Irã 658.790 toneladas, valor 460% acima do reportado na safra anterior, quando exportou 117.727 toneladas, entretanto, de acordo com o diretor técnico da Única, o Brasil chegou a exportar muito mais do que o volume atual para o Irã, mas não precisou os valores. Por sua vez, na quinta posição, aparece os Emirados Árabes Unidos, que adquiriu 418.422 toneladas de açúcar, recuo de 7% ante a safra 2009/10.

Esse seria parte da explicação para as enormes filas nos portos brasileiros para exportar a commodity. Com mais de 450 caminhões no Porto de Santos (Estado de São Paulo) e cerca de 150 veículos no Porto de Paranaguá (Estado do Paraná), importadores de açúcar mostraram-se descontentes nas últimas semanas com o sistema logístico brasileiro, que dificulta não só escoar os produtos dentro do território mas inviabiliza exportar os produtos em tempo hábil. Apesar da Índia e Emirados Árabes Unidos terem recuado, no montante total das exportações brasileiras houve acréscimo de 11%, totalizando 8.885.970 toneladas.

(Sérgio Vieira - Agência IN)