Bradesco prevê déficit em conta corrente de US$ 2,5 bi em agosto

S O PAULO, 23 de agosto de 2010 - O déficit em conta corrente, mais uma vez, foi superior aos ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil, que totalizaram US$ 2,643 bilhões em julho. Os ingressos líquidos de investimento em carteira, por sua vez, totalizaram R$ 5,8 bilhões. Para o Departamento Econômico do Bradesco, se mantidos estes valores até o fim do ano, a expectativa é de que os saldos negativos em conta corrente registrem algo próximo a US$ 4 bilhões em média por mês, o que deverá se traduzir em um déficit de US$ 49,2 bilhões nas transações correntes em 2010.

"No entanto, para o resultado de agosto, nossa expectativa é de mais uma redução do saldo negativo, devido, em grande parte, a uma melhora do saldo comercial, resultado de importações mais fracas, além de remessas de lucros e dividendos também mais retraídas, o que deve levar a um déficit em torno de US$ 2,0 a 2,5 bilhões neste mês", avalia a equipe chefiado pelo economista Octavio de Barros.

O déficit em conta corrente de julho se reduziu em relação ao registrado em junho, ao passar de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,5 bilhões, conforme divulgado hoje pelo Banco Central. O resultado veio em linha com as expectativas da instituição (-US$ 4,7 bilhões) e do mercado (-US$ 4,5 bilhões). Dessa forma, o déficit acumulado em 12 meses alcançou US$ 43,8 bilhões, o equivalente a 2,24% do PIB. Já, no acumulado deste ano, o déficit em conta-corrente alcançou US$ 28,3 bilhões, ante saldo negativo de US$ 8,8 bilhões no mesmo período do ano anterior.

De acordo com o banco, nesta divulgação, o destaque ficou para a retração do déficit da conta de serviços e rendas, negativo em US$ 6,1 bilhões, ante recuo de US$ 7,6 bilhões no mês anterior. "Este alívio na margem resultou principalmente de uma redução das remessas de lucros e dividendos, que passaram de US$ 4,2 bilhões para US$ 1,8 bilhão no mês. Essa melhora compensou a intensificação do déficit na conta de viagens internacionais, que cresceu de US$ 909 milhões para US$ 1,098 bilhão em julho, e a retração do saldo comercial, que se foi de US$ 1,4 bilhão em julho, ante US$ 2,3 bilhões no mês anterior", avaliou.

Já nas contas de capital e financeira, a instituição destacou os investimentos estrangeiros em carteira (negociados no país), que apresentaram ingressos líquidos de US$ 3,1 bilhões em julho, igual montante registrado no mês anterior.

"Além disso, devemos levar em conta uma aceleração das entradas de Investimento Estrangeiro Direto (IED), que somaram US$ 2,6 bilhões, ante US$ 708 milhões em junho, acima do esperado por nós (US$ 2,1 bilhões). No acumulado de 12 meses, o país atraiu US$ 26,8 bilhões em termos líquidos", afirma.

(SV - Agência IN)