Volatilidade prejudica desempenho da Bolsa

S O PAULO, 16 de agosto de 2010 - Levantamento conduzido pela LUZ Engenharia Financeira (LUZ-EF) analisou o desempenho de 19 entidades de previdência complementar, entre os meses de janeiro a junho de 2010. A conclusão é de que a maior volatilidade no período prejudicou o desempenho da Bolsa, sendo que o IBrX teve retorno negativo no período. Por outro lado, os investimentos em renda fixa indexados aos índices de inflação foram destaque.

Foi observada uma relação inversa entre risco e retorno. Ou seja, as entidades que assumiram maior risco tiveram menor retorno. Algumas chegaram a ter desempenho negativo durante o período. Contudo, a expectativa dos gestores de recursos dessas entidades é de continuidade da volatilidade no curto prazo, mas que a bolsa tem potencial de superar o CDI até o final do ano.

Vale notar que o IBrX acumulou no primeiro semestre -12,08% e as entidades analisadas tiveram uma média de alocação em bolsa de 12,83%. Apesar das alocações terem sido predominantes em renda fixa, o desempenho negativo das aplicações em renda variável causou forte impacto. A rentabilidade acumulada pelos fundos de pensão foi na média de 2,25% no mesmo período. Esse resultado ficou abaixo do CDI (4,28%). A situação é ainda mais complicada quando o resultado é confrontado com a meta atuarial. Como exemplo, dentre os índices mais utilizados pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), o INPC+6% atingiu 6,44%.

Nesse cenário, as entidades que não arriscaram na RV ficaram em torno do CDI, ou até mesmo superaram quando alocaram em papéis de inflação. Embora os papéis indexados ao IPCA não apresentaram desempenho significativo no segundo trimestre desse ano, o desempenho alcançado durante o primeiro trimestre fez diferença. Tal fato é percebido pelo índice da Anbima referente à carteira teórica composta por NTNBs (IMA-B), que alcançou retorno de 6,77% no primeiro semestre.

Ainda que os principais índices de bolsa tenham apresentado retorno negativo, é importante ressaltar a diferença de desempenho setorial. No primeiro semestre, os setores de comércio e alimentos e bebidas tiveram desempenho superior ao IBrX. Já os setores de telecomunicações e transportes, além de petróleo, tiveram desempenho inferior.

Por fim, os segmentos de operações com participantes e de imóveis contribuíram para reduzir as perdas com a bolsa, dado que em geral possuem retornos menos voláteis e superiores ao CDI.

(MLC - Agência IN)