Pesquisa revela dados sobre índices do colesterol em crianças

S O PAULO, 9 de agosto de 2010 - O excesso de colesterol não é uma exclusividade dos adultos. Uma pesquisa sobre a incidência da substância na população infantil foi realizada pela DASA. O trabalho levantou os exames de sangue de 1.872 crianças realizados no Paraná de janeiro a dezembro de 2009. As crianças foram divididas em dois grupos: amostra 1 - crianças abaixo dos nove anos; amostra 2 - dos dez aos quinze anos. O resultado é que 43% delas apresentavam níveis elevados de colesterol.

Segundo recomendações da Sociedade de Pediatria, o colesterol total é considerado normal na criança quando abaixo de 170 mg/dL e torna-se mais preocupante quando ultrapassa 200mg/dL. Dentro deste grupo de 43% de crianças com os níveis de colesterol elevado encontradas na pesquisa, 993 eram meninas e 879 eram meninos. Dentre as meninas, 444 estavam com colesterol elevado e dentre os meninos, 366.

"Este resultado confirma a tendência mundial de elevação dos níveis de colesterol nas crianças, provável fruto do aumento contínuo dos níveis de obesidade, piora dos hábitos de vida com consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e gorduras trans, bem como o aumento do sedentarismo observado em todas as faixas etárias", revela Mauro Scharf, endocrinologista da DASA, que é representada em Mato Grosso pelas marcas Cedic/ Cedilab e responsável pela pesquisa.

O endocrinologista ressalta que a pesquisa foi realizada em crianças que tiveram o colesterol solicitado por seus médicos e que, portanto, pode incluir um grupo de crianças já com conhecida deslipidemia familiar e que estavam realizando exames de controle. Por isso, os resultados da pesquisa podem refletir valores percentuais acima do esperado na população. Porém, grande parte dessas crianças provavelmente realizou o exame meramente como rotina.

O especialista explica que até os dois anos, é normal que os níveis de colesterol sejam elevados. "Trata-se de uma substância fundamental para a produção de hormônios e desenvolvimento dos neurônios no sistema nervoso central para formar uma espécie de capa que recobre cada um dos neurônios, a mielina, sem a qual os impulsos nervosos não seriam transmitidos de uma célula a outra", afirma. Scharf reforça que a falta dele, portanto, pode levar a deficiências no desenvolvimento cognitivo e psicomotor.

Mas o endocrinologista revela que já se sabe que um quarto das crianças de até dois anos com colesterol alto apresentará problemas de saúde na idade adulta. O Programa Nacional de Educação sobre Colesterol da Academia Americana de Pediatria preconiza que crianças com parentes de primeiro grau que tiveram doença coronariana antes dos 55 anos de idade devem começar a prevenção e o controle desse mal a partir dos dois anos.

(Redação - Agência IN)