Inflação e atividade endossam percepção de manutenção dos juros

S O PAULO, 18 de agosto de 2010 - Diante de um cenário de crescimento mais fraco e inflação sob controle, analistas endossam a percepção de que o ciclo de alta da Selic pode mesmo ter terminado. Por outro lado, o mercado ainda está dividido entre manutenção e alta de 0,25 ponto percentual dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no início de setembro. Há quem estime aumento de 0,50 ponto. Atualmente, a taxa Selic está em 10,75% ao ano.

Segundo pesquisa do instituto Ifo, a recuperação da atividade econômica mundial deve continuar em ritmo lento. Apesar de avaliações mais positivas da situação corrente da economia do que no primeiro semestre de 2010, as expectativas para a segunda parte do ano foram revistas para baixo.

Ainda de acordo com a pesquisa, não há mudanças na taxa de inflação esperada para 2010, que seria de 3,1% para o mundo. Em adição, a maioria dos especialistas não espera aumentos nas taxas de juros nos próximos seis meses. O ambiente ainda "nebuloso" da recuperação mundial explicaria esse resultado.

A agenda doméstica desta quarta-feira é fraca de indicadores econômicos e diante de um sentimento de que o ciclo de aperto monetário realmente tenha chegado ao fim à curva de juros futuros projeta prêmios menores no longo prazo e estabilidade no curto prazo. Na BM&FBovespa o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 aponta taxa anual de 10,74%, estável em relação ao ajuste anterior. Janeiro de 2012 projeta juro de 11,28%, contra 11,31% da véspera.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)