Em outra época, Petrobras teria disparado após balanço

S O PAULO, 17 de agosto de 2010 - O resultado divulgado pela Petrobras (PETR4) foi acima do esperado e poderia ter algum impacto positivo sob suas ações, caso fosse divulgado em outra época, avalia Erick Scott, economista da SLW Corretora.

"Entendemos que o resultado por si só não deve surtir efeito sob suas ações nos dias de hoje, pois o principal evento que pressiona o comportamento dos preços de suas ações é a operação de capitalização, prevista para ser realizada em setembro próximo. As incertezas e riscos em torno desta operação minimizam o efeito positivo do resultado do segundo trimestre de 2010 sob suas ações", afirma.

Vale ressaltar que o grau de alavancagem da companhia passou de 32% no primeiro trimestre de 2010 para 34% entre os meses de abril e junho deste ano, muito perto do limite de 35% traçado pela empresa. Segundo ele, este dado mostra a necessidade da companhia realizar a operação, que deve mesmo acontecer em setembro, caso contrário aumentariam os riscos da empresa ultrapassar o limite de alavancagem considerado adequado e de ainda perder o grau de investimento, "fatos que fatalmente pesariam negativamente sob suas ações".

Era esperado um lucro líquido de aproximadamente R$ 7,9 bilhões, no entanto a companhia apresentou um lucro liquido de R$ 8,3 bilhões, com crescimento de 1,7% em relação ao lucro registrado no mesmo período do ano anterior e aproximadamente 5% acima da média esperada pelo mercado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu R$ 15,9 bilhões, praticamente em linha com as projeções, que apontavam R$ 16,1 bilhões para o indicador. Todos os números acima das projeções do mercado.

Scott pondera que o resultado maior decorre principalmente do aumento da produção da companhia, aliados a um maior volume de vendas e da apreciação da cotação do petróleo no período.

No segundo trimestre de 2010, a produção nacional de óleo, LGN e gás natural da Petrobras alcançou 2.341 mil barris/dia, representando um crescimento de 2,5% em relação ao segundo trimestre de 2009. Este crescimento se deve principalmente devido ao acréscimo na produção das plataformas FPSO Cidade de Niterói, Frade e Cidade de Vitória, à entrada em operação da FPSO Capixaba e pelo início do Teste de Longa Duração (TLD) no campo de Tiro.

Os investimentos da Petrobras no segundo trimestre de 2010 chegaram a R$ 20,3 bilhões, crescimento de 12% em relação aos investimentos realizados no mesmo período do ano anterior. Deste total, aproximadamente 39,9% foram destinados à área de Exploração e Produção e 42% para Abastecimento.

Para 2010 a companhia planeja investir R$ 88,5 bilhões, valor 25% maior que o investido em 2009. Do total, 42% devem ser destinados à área de Exploração e Produção (R$ 36,7 bilhões) e 38% para Abastecimento, que registrará um relevante crescimento dentro dos planos de investimento da companhia, passando de R$ 16,5 bilhões investidos em 2009 para R$ 33,9 bilhões esperados em 2010.

(SV - Agência IN)