Dólar tem dia de volatilidade

S O PAULO, 4 de agosto de 2010 - A moeda norte-americana teve um dia de volatilidade, após oscilar entre R$ 1,754 e R$ 1,762, a divisa fechou com recuo de 0,06%, cotada a R$ 1,758 para venda.

O gerente de câmbio Reginaldo Galhardo, da Treviso Corretora de Câmbio, comenta que o dólar comercial segue reagindo à expectativa de ingressos de capital provenientes de captações e exportações. Para ele, a tendência para a moeda norte-americana ainda é de queda. "As elevações da taxa Selic nos últimos meses e os fundamentos do País continuam favorecendo a entrada de capital estrangeiro", avalia.

No entanto, Galhardo observa que o desconforto do mercado vem crescendo, sobretudo com a expansão das posições vendidas dos bancos porque o cenário está mudando e pressões para a alta do dólar são identificadas.

Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da NGO Corretora explica que posição "vendida" no mercado à vista se cobre com divisas efetivas, não há outra forma. De fato, pode-se ponderar que tal posição pode estar "protegida" com operação de "hedge", mas a efetividade da zeragem só com moeda mesmo.

Cabe lembrar que a despeito do sistema de câmbio ser flutuante, a taxa cambial, que estava no em torno de R$ 1,75 ao final de 2009, permaneça nas mesmas proximidades do R$ 1,75, mesmo com o Banco Central do Brasil comprando mais de US$ 13 bilhões além do que o mercado de câmbio tinha efetivamente para oferecer.

De acordo com dados divulgados hoje, o país terminou julho com saldo positivo de US$ 712 milhões. O resultado final foi garantido por US$ 3,017 bilhões em entradas líquidas na última semana do mês.

Vale ressaltar que o mercado de câmbio doméstico continua monitorando o cenário externo e hoje os dados da pesquisa ADP sobre o número de postos de trabalho criados no setor privado norte-americano em julho prepara o terreno para o payroll que será divulgado na sexta-feira.

Os números do ADP National Employment Report, sobre os postos de trabalho criados no setor privado norte-americano em julho, foram divulgados nesta manhã e agradaram. Houve criação de 42 mil vagas no mês passado, ante previsão de expansão de 39 mil postos de trabalho.

Ainda na agenda externa, o Institute for Supply Management (ISM) anunciou que o índice do setor de serviços cresceu para 54,3 pontos no mês passado, ante 53,8 pontos em junho. O resultado veio melhor do que o esperado pelo mercado, que projetava 53 pontos.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)