Desaceleração explica queda no preço da cesta básica

S O PAULO, 4 de agosto de 2010 - A desaceleração da economia e as altas da Selic são alguns dos fatores que influenciaram a baixa do preço da cesta básica em 16 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em julho deste ano, segundo Fabio Gallo Garcia, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).

"O inicio de 2010 foi marcado pelo IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] em alta, tendo como principais causas o subida de preços do açúcar, álcool anidro, escolas e alguns outros itens com elevação de preços sazonais. A subida de preços persistiu ao longo do primeiro semestre devido ao forte nível de consumo que veio desde o último quadrimestre de 2009", disse.

Ele acrescentou que no primeiro trimestre de 2010 o crescimento da economia brasileira foi muito forte, o segundo trimestre, por outro lado, tem mostrado que o desempenho não será mantido.

"Os últimos dados divulgados pelo IBGE dão conta de que o nível de atividade de nossa economia caiu. A produção industrial apresentou retração de 1,0% em junho frente a maio, já descontando os efeitos sazonais, esta é a terceira queda do indicador. Além disso, outros fatores que vinham alimentando a elevação de preços não estão mais presentes como a Copa do Mundo. Some-se a esses fatores o combate a inflação, para manutenção da meta, praticado pelo Bacen [Banco Central] que elevou a taxa SELIC para 10,75% ao ano em sua última reunião".

Sobre a tendência para o valor da cesta básica para os próximos meses, Garcia ressalta que "não há fator algum que aponte para uma elevação de preços. Ao contrário, todas as análises apontam para manutenção ou queda de preços pontuais".

(Redação - Agência IN)