Declarações de Meirelles ainda alteram curva de juros futuros

S O PAULO, 17 de agosto de 2010 - As declarações feitas ontem (16) pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, continuaram tendo repercussões no mercado de renda fixa nesta terça-feira. Na BM&FBovespa, as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam sem direção única diante do sentimento de mercado de que não devemos ter mais alta na taxa Selic nos próximos meses de 2010, ou seja, a Selic ficará em 10,75% ao ano.

O DI com vencimento em janeiro de 2011 projetou taxa anual de 10,74%, ante 10,75% da véspera. O DI de janeiro de 2012 apontou estabilidade projetando juro de 11,32%. O mercado ainda está dividido entre uma manutenção e alta de 0,25 ponto percentual dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no início de setembro. Há quem estime aumento de 0,50 ponto. Diante destas dúvidas, operadores disseram que os próximos dados de inflação e atividade serão acompanhados de perto.

Em discurso ontem (16) em Belo Horizonte, Meirelles disse que há menos riscos de inflação no Brasil e que as expectativas de inflação estão dentro da meta. Ele ressaltou ainda que a taxa Selic vai convergir para "padrões internacionais" nos próximos anos.

Na agenda doméstica do dia foi informado que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) avançou 0,20% na segunda quadrissemana de agosto, repetindo a alta da semana anterior. Já o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu 0,46%, puxado pela alta dos preços no atacado causada pelo minério de ferro, mas ficou em linha com as expectativas do mercado.

Vale ressaltar que a Receita Federal arrecadou um total de R$ 67,973 bilhões no mês passado, recorde para meses de julho. O montante inclui os impostos, contribuições federais e as contribuições previdenciárias ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Nos Estados Unidos, a melhora de humor pautou os negócios diante das boas notícias econômicas e corporativas.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)