Crise europeia reduz exportações de carne suína brasileira

S O PAULO, 9 de agosto de 2010 - As exportações de carne suína, em julho, voltaram a cair em volume e a subir em receita. O Brasil exportou 43.771 toneladas, em relação a 48.108 toneladas registradas em julho de 2009, uma queda de 9,01%. "Os números de julho de 2010 refletem a crise europeia. A desvalorização do euro aumentou a competitividade das exportações da União Europeia. O Brasil ainda convive com o real valorizado. A concorrência entre Brasil e União Europeia é direta na Rússia, principal mercado para as duas origens", explica Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).

No acumulado do ano, as vendas externas de carne suína caíram 8,50%, passando de 342.587 toneladas de janeiro a julho de 2009, a 313.468 toneladas nos sete primeiros meses deste ano. Já em receita, o aumento das exportações foi de 7,68% em julho deste ano e de 12,57% de janeiro a julho (US$ 769,52 mihões).

"O mercado interno do Brasil, felizmente aquecido, absorve nossa produção, inexistindo estoques de carne suína acima do usual. A suinocultura da União Europeia enfrenta maior dificuldade em virtude da crise econômica que persiste na região. Na Rússia, o severo verão de elevadíssimas temperaturas colocou a agropecuária em crise, com restrição às exportações de grãos e aumento de protecionismo. Isso refletiu nos preços dos alimentos em geral", comenta Camargo Neto.

Para a Abipces, a menor exportação de julho, que parece se consolidar também em relação a 2010 como um todo, não deve ser avaliada como negativa. O presidente da entidade salienta, porém, a necessidade de ampliação dos mercados externos e de redução da dependência do mercado russo, ainda muito significativa para o setor. "Felizmente, os processo de abertura caminham, embora sempre em velocidade inferior à que gostaríamos", diz Pedro de Camargo Neto.

Ainda neste mês de agosto, o Brasil deve receber missão de habilitação de fábricas da China e, em setembro, do Canadá. Os processos de habilitação nos EUA e na União Europeia poderão estar concluídos ainda em setembro. Na Coreia do Sul e no Japão, os processos também progridem. Aguardam-se passos importantes até o final do ano.

Os principais mercados para as exportações brasileiras de carne suína, em julho, foram Rússia, Hong Kong, Ucrânia, Argentina e Angola. Para a Rússia, o Brasil vendeu 19.420 toneladas, uma queda de 2,39% em relação a julho de 2009. Em receita, porém, as vendas aumentaram 19,11%, atingindo US$ 53,32 milhões. De janeiro a julho, as vendas para a Rússia já somam US$ 391,86 milhões, uma ampliação de 19,26% em relação a igual período de 2009.

(Redação - Agência IN)