Lojistas garantem ter cadeirinhas, obrigatórias a partir de 4ª

Ney Rubens, Tatiana Damasceno, Thais Sabino, Portal Terra

DA REDAÇÃO - A partir de amanhã, 1º de setembro, será obrigatório transportar crianças de até 7 anos no banco traseiro do carro em cadeirinhas ou assentos de elevação, conforme a idade. A medida deveria ter entrado em vigor em junho, mas a falta do equipamento no mercado na época fez o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) adiar o começo da ação. Dessa vez, os comerciantes prometem que será diferente. Grandes praças como São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal garantem que o setor foi reabastecido para dar conta da demanda.

Em São Paulo, o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado, Maurício Stainoff, afirmou que a comercialização do produto mais que dobrou. "Com certeza, a venda mais que dobrou em São Paulo. Agora, no entanto, a produção e importação se acentuaram e abastecem o mercado do Estado de São Paulo de forma suficiente".

A obrigação do uso do dispositivo, segundo Stainoff, criou oportunidades de negócios e lojas que antes não trabalhavam com o produto hoje têm a cadeirinha sempre disponível no estoque. "Temos cadeirinhas que custam de R$ 160 a R$ 2,5 mil, de acordo com o modelo e marca", disse. Segundo ele, a variação de preço acompanha a chegada de mais modelos para atender a população: "as lojas importaram quantidade grande de cadeirinhas e apareceu de tudo quanto é preço e jeito".

Mas, para ele, o pico na venda do produto deve diminuir com o tempo, já que as cadeirinhas podem ser reaproveitadas à medida que as crianças crescem.

No Distrito Federal, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista-DF), o mercado local também se reabasteceu e hoje ninguém pode usar a desculpa de não encontrar o produto. "(Em junho) Todo mundo correu e as lojas não tinham como atender. Mas, hoje, não está faltando cadeira no mercado. A lei pode entrar em vigor, não compra quem não quer. Se pessoa não achar em Brasília, compra pela Internet. Não tem desculpa", disse Edson Castro, presidente interino do Sindivarejista-DF. Ele ressaltou que é importante o consumidor fazer uma ampla pesquisa antes da compra, dada a variação de preços.

Em Minas Gerais, a rede de lojas de roupas e acessórios infantis Baby informou que, nos últimos dez dias, foram vendidas cerca de 800 cadeirinhas nas quatro lojas que possui em Belo Horizonte. O pico de vendas foi no dia 28 de agosto, último sábado, quando o estoque, que é reposto diariamente, quase esgotou. "No final de semana vendemos quase todo o estoque e vamos receber mais cadeiras no final do dia", disse Nilva Machado, gerente da loja que fica no Shopping Del Rey, em Belo Horizonte. Segundo ela, a procura aumentou nas duas últimas semanas: "muita gente tem deixado pra última hora".

O grupo GPA, responsável pelo hipermercado Extra e pela rede Pontofrio, informou que as vendas triplicaram entre janeiro e junho de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado. A cadeirinha chamada de "bebê conforto", por exemplo, teve um aumento de 60% nas vendas e as cadeiras para crianças de 7 anos, de 300%.

A resolução

A partir do dia 1° de setembro entra em vigor a resolução 277 do Contran, estabelecendo a obrigatoriedade do transporte de crianças até 7 anos no banco traseiro do carro em cadeirinhas ou assentos de elevação, conforme a idade. Quem descumprir a regra poderá ser multado em até R$ 191,54, mais sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A resolução não se aplica para veículos de transporte coletivo, táxi e veículos escolares.

Os bebês com até 1 ano deverão utilizar o dispositivo de retenção denominado "bebê conforto" ou "conversível". As crianças com idade superior a 1 ano e inferior ou igual a 4 anos deverão ser transportadas na chamada "cadeirinha". Quem tem mais de 4 anos e menos ou 7 anos e meio completos deve utilizar o "assento de elevação". As crianças com idade superior a 7 anos e meio e inferior ou igual a 10 anos precisam utilizar o cinto de segurança do veículo.

De acordo com Ingrid Stammer, da organização não-governamental Criança Segura, o uso do dispositivo aumenta a chance de a criança escapar de um acidente. "O cinto de segurança do carro não foi projetado para crianças e sim para indivíduos que tenham a partir de 1,45 m de altura. As cadeirinhas levam em consideração a fragilidade do corpo da criança e suas fases de desenvolvimento, podendo garantir até 71% de chance de sobrevida no momento de um acidente", afirmou.