Preços dos leilões de energia estão muito baixos, diz Unica

SÃO PAULO, 23 de julho de 2010 - Os preços-teto divulgados ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para os leilões de energia de reserva e de fontes alternativas, programados para agosto próximo, estão aquém do esperado e devem comprometer a participação do setor sucroenergético brasileiro, na opinião da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A entidade considera que os valores anunciados não são adequados, considerando-se os altos investimentos necessários, particularmente de usinas mais antigas, que exigem reformas e elevados investimentos por MW instalado para ampliar a geração de energia elétrica - as chamadas "retrofits". Para o Leilão de Energia de Reserva (LER 2010), a fonte "biomassa sucroenergética" apresentou 55 projetos que totalizam uma potência instalada de 3.518 MW, e ao contrário do que ocorreu em 2008, a maioria dos projetos cadastrados agora envolve as "retrofits", que normalmente exigem um investimento mais elevado por MW instalado.

Segundo os editais aprovados ontem pela ANEEL, os preços-teto foram definidos em R$ 156/MWh para o LER 2010 e R$ 167/MWh para o Leilão de Fontes Alternativas 2010 (LFA 2010). O presidente da Unica, Marcos Jank, observa que o preço-teto para o LER 2010, em valores atualizados, representa 90% do praticado em 2008. "O primeiro leilão desse tipo, realizado em agosto de 2008, teve um preço-teto de R$ 157/MWh, o equivalente a R$ 173/MWh em valores de hoje", destaca Jank.

Ele lembra que o primeiro LER foi realizado em um período de elevados investimentos em novas unidades, as chamadas "greenfields", quando se contava com uma linha de financiamento oficial e específica para a bioeletricidade, algo que não está disponível agora. Além disso, segundo Jank falta isonomia entre as diferentes fontes nas condições de preço e financiamentos oferecidas pelo governo.

A energia eólica, por exemplo, terá um preço-teto de R$ 167 por MWh no leilão de reserva, R$ 11 por MWh superior ao valor definido para a biomassa. As condições de financiamento também são significativamente melhores tanto para o caso de eólicas localizadas na Região Nordeste, onde está o maior potencial dessa fonte, como no caso das grandes hidrelétricas, especificamente Belo Monte.

Dados da Unica mostram que das 440 usinas sucroenergéticas em atividade no Brasil, apenas 100 exportam bioeletricidade para o sistema elétrico. Mais de 300 usinas passíveis de "retrofit" estão localizadas no principal centro de demanda de eletricidade do país, a região Centro-Sul. Juntas, elas poderiam produzir energia limpa, renovável e altamente complementar para a eletricidade fornecida por hidrelétricas, pois a bioeletricidade é ofertada no período de seca, justamente quando ocorre a colheita da cana-de-açúcar e os níveis dos reservatórios das hidrelétricas estão mais baixos.

(Redação - Agência IN)