Brasil ainda apresenta alto nível de desigualdade

SÃO PAULO, 23 de julho de 2010 - O Brasil é o quarto país da América Latina com maior índice de desigualdade social, informou hoje o Relatório de Desenvolvimento Humano do continente, divulgado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). De acordo com a pesquisa, o País só ganha do Haiti, Bolívia e Equador, na comparação do índice de Gini, utilizado para medir as desigualdades.

Para Flávio Comim, economista do PNUD, o fato está diretamente ligado à qualidade e oferta de educação disponíveis no Brasil. "Entre as razões estão as perspectivas da educação, que continua em um nível baixo. Além disso há uma forte concentração de renda, que prejudicam a formação de capital humano, que é uma questão fundamental", afirmou.

Ainda de acordo com o estudo, o Uruguai apresentou o menor Índice de Gini, 45, seguido pela Costa Rica, que apresentou 47.

Outro ponto abordado pela pesquisa foi a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No levantamento, o Brasil apresentou crescimento de apenas 2,9% entre os anos de 2000 e 2007, enquanto no período entre 1990 e 2000, a elevação foi de 11,3%.

"Observamos um quadro de desaceleração no IDH brasileiro. A queda na comparação se deu por conta do fato de que na década passada houve aumento na taxa de matrículas no ensino primário. Só que nos últimos anos, a expectativa de vida da população continuou baixa, impedindo uma evolução mais satisfatória do índice", completou Comim.

O relatório divulgado hoje apontou também para o IDH-D, índice ajustado pelo nível de desigualdade social nos países na América Latina. De acordo com esta abordagem, o IDH brasileiro teria uma queda de 19%.

"A elaboração do IDH-D leva em consideração microdados. No entanto, a elaboração deste índice não pode ser comparada com a do IDH normal", ponderou o economista.

(Humberto Domiciano - Agência IN)