Petrobras empurra Ibovespa para baixo

SÃO PAULO, 24 de junho de 2010 - O principal índice acionário da BM&FBovespa opera em terreno negativo nesta quinta-feira, devido ao cenário externo - que ainda gera incertezas quanto a recuperação econômica tanto dos Estados Unidos quanto da zona do euro. Além disso, o Ibovespa é pressionado pela decisão da Petrobras de adiar a capitalização e os rumores de um possível rebaixamento do seu grau de investimento. Diante dessa conjuntura, o índice, há pouco, caía 1,66%, aos 64.075 pontos. O giro financeiro da bolsa estava em R$ 2,09 bilhões.

O front externo continua desagradando os investidores. Os números divulgados nesta quinta-feira nos Estados Unidos apontam para incertezas cada vez maiores no longo prazo quanto à recuperação econômica do país. De acordo com Ivan Kraiser, economista e sócio da Legan Asset Management, "tanto o mercado norte-americano quanto o europeu estão sob análise constante e sinalizam, cada vez com mais precisão, que apesar do primeiro mostrar dados ora positivos ora negativos, as informações ruins se sobrepõem dia-a-dia. Os indicadores da manhã, embora dentro do esperado, apontam para uma deterioração da economia dos EUA".

Os novos pedidos de bens duráveis norte-americanos recuaram US$ 2,2 bilhões em maio, ou 1,1%, alcançando a cifra de US$ 192 bilhões. Esta retração segue os cinco aumentos mensais consecutivos (incluindo a excelente performance do mês de abril, que avançou 3%). Por sua vez, os pedidos de auxílio-desemprego recuaram 19 mil na semana encerrada dia 19 de junho, a maior queda do indicador semanal nos últimos dois meses. "A volatilidade dos dados nos EUA confunde os investidores e gera muitas incertezas", avalia o economista.

No cenário nacional, os papéis da blue chip Petrobras (PN) que, há pouco, sofriam retração de 2,74%) pressionam o Ibovespa para baixo. Ivan Kraiser ressalta que a indefinição quanto a operação de capitalização é a principal questão para a desconfiança do mercado. "O governo está pagando o preço por não ter feito algo mais organizado. São R$ 150 bilhões que estão voando e ninguém sabe ao certo o valor da operação", diz. O recuo ocorre após a decisão da estatal de adiar a oferta pública de ações para setembro.

Também reflete no valor dos papéis da petrolífera as notícias de bastidores sobre a iminente retirada do grau de investimento pela Fitch devido ao adiamento da capitalização. "Os rumores quanto ao investment grade não são confirmados, mas pesaram sobre o mercado", apontou Kraiser.

(Sérgio Vieira - Agência IN)