Manufatura ganha flexibilidade no Brasil

InvestNews

SÃO PAULO - O investimento de R$ 40 bilhões na indústria automobilística até 2015, com o desenvolvimento de novos veículos e ampliação de fábricas, deve ser acompanhado de um choque de competitividade, capaz de solucionar os problemas de infraestrutura para tornar efetivas as iniciativas na área de produção. O alerta veio dos palestrantes do Simpósio SAE Brasil de Manufatura Automotiva, promovido nesta semana em São Paulo.

Os efeitos da crise econômica internacional persistem, com o excesso de capacidade de produção global provocando mudanças no mapa da manufatura automotiva, deslocada para países emergentes como China, Índia e Brasil. Pressões dos players externos, deficiências logísticas e dificuldade em promover as exportações envolvem as operações brasileiras em uma verdadeira guerra para reduzir custos, tornar as linhas de montagens flexíveis e racionalizar as cadeias de suprimento.

José Eugênio Pinheiro, vice-presidente de Manufatura da General Motors, admitiu que o expressivo crescimento do mercado interno e os investimentos confirmados pela companhia na região exigiram a revisão das estratégias de produção no País. Uma das principais preocupações é elevar a capacidade de produção e tornar as linhas de montagem mais flexíveis para atender a fabricação de diferentes veículos nas mesmas instalações. "A tendência é maximizar o volume de produção, com linhas de montagens mais curtas, processos enxutos e com menor custo", disse.

Na busca da redução de custos a Renault investiu no conceito Monozukuri, que promove as melhores práticas em todas as áreas da empresa, desde a cadeia de suprimentos até a distribuição dos produtos finais. O objetivo é gerar resultados financeiros expressivos, através da inovação, benchmarking e ferramentas Kaizen. Com o programa, a Renault otimizou o sistema de embalagens de peças na planta brasileira, antes copiado da matriz. "Ampliamos o número de peças embaladas, em alguns casos, com redução significativa de custos", explica Marcelo Mello, gerente geral para Monozukuri da Renault.

A Volkswagen do Brasil investirá R$ 6,2 bilhões no País até 2014 para desenvolver novos produtos e elevar a capacidade de suas fábricas de São Bernardo e Taubaté, em São Paulo. A montadora passa por mudanças para implementação da manufatura digital em São Bernardo, com softwares de simulação e tecnologias 3D para otimizar processos e enxugar custos antes de o produto entrar na linha de produção.

Vagner Galeote, vice-presidente da SAE Brasil, afirmou que é importante aproveitar os investimentos expressivos atuais na indústria automobilística para incentivar um aumento de competitividade. "Precisamos investir em inovação e na criação de produtos globais com maior qualidade e durabilidade. O momento é agora", garante.