Dólar ignora cenário externo negativo e fecha em queda

SÃO PAULO, 24 de junho de 2010 - Depois de operar em alta durante a maior parte da manhã, o dólar comercial ignorou o cenário negativo nas bolsas de valores, e fechou em queda de 0,17%, cotado a R$ 1,788 para venda. A divisa apontou máxima de R$ 1,801. Como de costume, o Banco Central (BC) comprou dólares no mercado à vista. A autoridade monetária adquiriu divisas a uma taxa média de R$ 1,7837.

No front externo, o dia foi marcado pelo mau humor da economia dos Estados Unidos. Há também expectativa pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) desse país, prevista para amanhã.

Os agentes avaliaram que os novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA caíram 19 mil na semana passada, ante a retrasada, para 457 mil. Já as novas encomendas de bens duráveis nos EUA recuaram 1,1% em maio, para US$ 192 bilhões, após cinco taxas positivas consecutivas, incluindo um avanço de 3% em abril. Embora os indicadores tenham sido melhores que o previsto, o mercado segue preocupado com o ritmo de recuperação da economia norte-americana.

Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK lembra que mesmo com cenário externo carregado de dúvidas, o nível de reservas brasileiras, a boa posição do país no cenário global e o alto diferencial de juros a favor do praticado aqui devem limitar desvalorizações mais acentuadas da moeda brasileira, nos momentos de tensão externa, e reforçar a tendência de valorização do real, sempre que houver uma melhora mais consistente do cenário externo.

A reunião da cúpula do G-20, que começa nesta sexta-feira, é outro motivo de atenção por parte dos investidores, uma vez que há uma certa discussão sobre as medidas de austeridade fiscal adotadas por algumas economias, versos o cenário de crescimento moderado da região. A cúpula irá abordar um tema delicado que é o de conter e ajustar as contas do governo ou ignorar o déficit fiscal já insustentável e manter os incentivos à economia.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)