Dados de inflação e emprego contribuem para queda dos DIs

SÃO PAULO, 24 de junho de 2010 - A curva de juros futuros cedeu nesta quinta-feira com os investidores reagindo aos dados de inflação e emprego no Brasil. Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 projetou taxa anual de 11,29%, ante 11,31% do ajuste anterior.

Pela manhã foi informado que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), desacelerou para um nível negativo, chegando a -0,08% na terceira quadrissemana de junho, inferior ao índice da segunda, que foi de 0,03%. O dado superou o piso das expectativas do mercado, com destaque para a expressiva queda do preço dos alimentos e transporte.

"Apesar das dissipações das pressões pontuais, a tendência subjacente da inflação captada pelos núcleos continuará pressionada, reflexo dos efeitos do avanço da demanda interna sobre os preços", disse Newton Rosa, economista-chefe da Sul America Investimentos.

Ainda na agenda doméstica, foi divulgado que a taxa de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro da Geografia e Estatística (IBGE) em maio foi de 7,5%, maior que a projeção do mercado (mediana de 7,1%).

Economistas comentam que os dados econômicos divulgados hoje contribuíram para o movimento de baixa dos juros futuros, pois abre uma possibilidade do aperto monetário durar menos tempo no Brasil. No entanto, esses profissionais observam que a economia brasileira continua a crescer em ritmo forte e deve fechar o ano com aumento em torno de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, o que fortalece as apostas de que o colegiado do Banco Central (BC) promova pelo menos mais três aumentos na taxa Selic, fixada em 10,25% ao ano.

Rosa explica que na ata da última reunião, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2011, no cenário de mercado, "se elevou e se posiciona acima do valor central da meta". As projeções de mercado para Selic agora são 11,75% e 11,50% para o final de 2010 e 2011, respectivamente. Isso significa que, de acordo com as modelagens do BC, aumentar a taxa de juros básica em 150 pontos base não seria suficiente para levar a inflação de volta à trajetória de metas. Assim, o aperto monetário deveria ser maior do que o consenso entre os analistas ouvidos pelo BC. Dessa forma, Rosa que antes contemplava Selic, encerrando 2010 em 11,50%, agora considera mais duas altas de 75 pontos base e uma de 50 pontos nas próximas três reuniões (julho, setembro e outubro) encerrando 2010 em 12,25%.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)