Israel reduz bloqueio a Gaza, mas mantém restrições navais

SÃO PAULO, 17 de junho de 2010 - Duas semanas depois do ataque israelense a uma frota de navios que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, o governo de Israel anunciou hoje a redução do bloqueio na região. O acordo autorizando a entrada de alguns tipos de alimentos, brinquedos, material de papelaria, utensílios de cozinha, colchões e toalhas demorou dois dias para ser negociado.

A redução do embargo é válida apenas para os postos terrestres de fronteira, controlados pelas forças de segurança de Israel, na região de Gaza. O bloqueio naval é mantido. A maior parte dos carregamentos destinada à região é feita via aquática.

Depois do anúncio israelense, o Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza, pediu o fim completo do bloqueio. "Pessoas e bens precisão ser livres para entrar e sair. Gaza precisa especialmente de material de construção, que deve ser permitido sem restrições", disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri.

Na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, reagiu à decisão israelense. Para ele, deve haver suspensão total do embargo. Desde dezembro de 2007, cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem sob a rígida restrição imposta pelos israelenses a Gaza. Materiais como cimento e aço eram proibidos, porque, de acordo com Israel, o Hamas poderia usá-los para construir armas e fortalezas.

Por enquanto o governo israelense não confirmou a lista de produtos liberados. As primeiras informações relacionavam apenas material de construção - desde que fosse usado em projetos que contam com supervisão internacional.

Nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, informa que "o Gabinete [de Segurança] decidirá nos próximos dias os passos adicionais para implementar essa política". A nota diz ainda que Israel espera que a comunidade internacional atue para libertar o soldado Gilad Shalit, capturado por militantes do Hamas em 2006.

Para analistas internacionais, a decisão de Israel é considerada uma grande mudança na política israelense, mas eles dizem que o fundamental agora é saber até que ponto e em que velocidade as medidas ocorrerão.

O governo israelense afirma que o embargo a Gaza aumenta sua segurança, mas o bloqueio foi muito criticado por ferir direitos básicos da população na região. As informações são da Agência Brasil.

(Redação - Agência IN)