Estrangeiros se revoltam com transporte no país da Copa

SÃO PAULO, 17 de junho de 2010 - "Vamos! nimo!" A exasperação e a urgência mesclam-se nestas palavras de estímulo lançadas pelos passageiros de um ônibus ao motorista que os transporta a Polokwane, no nordeste da África do Sul e onde ocorre a partida entre França e México nesta quinta-feira.

Um carro está estacionado na saída da estação de ônibus de Johannesburgo e o ônibus vai demorar mais de quinze minutos para deixar o beco sem saída em que está.

Após este obstáculo, o trajeto é realizado sem problemas, com música mexicana ao fundo, vindo dos alto-falantes do veículo. Mas esse detalhe não é suficiente para acalmar os fãs de futebol estrangeiros, que foram à África do Sul para assistir à Copa 2010.

"Não posso mais!", afirma Jorge Caraccioli, um hondurenho-americano que usa um grande chapéu mexicano na cabeça. "Não há nenhuma organização. Quando alguém pede informações, a gente responde "sinto muito, não sei de nada'", conta.

Na véspera, o engenheiro de 27 anos estava em Nelspruit (nordeste) para ver a partida entre Honduras e Chile com seu irmão. "O motorista não sabia onde parar e nos deixou em um local ruim. Foi muito estressante", acrescenta.

A África do Sul disponibilizou diversas linhas de ônibus e trem entre as nove cidades sede da competição, especialmente para os dias de partida, mas os operadores do serviço foram escolhidos com atraso, e os empregados não foram bem instruídos.

Erdhuan Sofhian é testemunha desta situação. O cidadão de 32 anos de Cingapura viveu "uma experiência horrível" tentando chegar a Port Elisabeth (sul) para o jogo Portugal-Costa do Marfim, na terça-feira.

"O motorista sabia que encontraria neve na estrada, mas partiu mesmo assim, e ficamos parados por cinco horas", conta.

Finalmente, o veículo foi socorrido pelos serviços de emergência e pôde seguir seu destino, chegando ao estádio no segundo tempo. Mas não adiantou, pois o torcedor encontrou as portas fechadas.

(Redação com AFP - Agência IN)