Cautela volta aos mercados, mas dólar fecha quase estável

SÃO PAULO, 16 de junho de 2010 - A cautela voltou aos principais mercados nesta quarta-feira em meio às especulações na Espanha e indicadores negativos nos Estados Unidos. Mundo afora, os índices acionários operaram em direções opostas, enquanto o dólar voltou a ganhar força frente a seus rivais. No fim do dia, a moeda norte-americana avançou 0,11%, a R$ 1,792 na venda.

Entre as notícias internacionais, os rumores de que a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) preparam um plano de resgate para a Espanha de ? 250 bilhões pesaram sobre os negócios. As autoridades negaram a informação. Do lado econômico, a inflação ao consumidor na zona do euro registrou variação positiva de 1,6% em maio, ante avanço de 1,5% em abril.

Por sua vez, repercutiu bem o fato da Espanha e Irlanda, além da Bélgica, terem obtido sucesso nos leilões de bônus realizado, aliviando assim alguns temores sobre o vigor financeiro de países da zona periférica da zona do euro. "Ainda perduram incertezas e uma boa dose de ceticismo sobre a capacidade dos países administrarem suas dívidas, mas é inegável que as tensões diminuíram muito, e, isto repercute diretamente no preço do euro, que ensaia recuperação", observa o diretor-executivo da NGO, Sidnei Moura Nehme.

Nos EUA, o dia também não foi de boas notícias. A construção de residências registrou decréscimo de 10% em maio deste ano, em relação ao mês anterior. O dado de abril foi revisado para baixo de +5,8% para +3,9%. "O dado sugere que o aumento da atividade no segmento de construção nos últimos dois meses foi fruto de antecipações de compras e que o que teremos agora é um período de arrefecimento", comentam os analistas do Banco Fator. As licenças para novas construções também não são muito animadoras. Depois de dois meses de alta - fevereiro e março - houve queda muito forte em abril (-10,9%) e outra queda agora em maio (-5,9%).

A produção industrial, por sua vez, subiu 1,2% no mês passado em relação a abril, enquanto na variação anual, a taxa avançou foi de 7,6%. Esses números, porém, não tiveram forças para reverter o humor.

No Brasil, os investidores seguem operando na expectativa de fluxos estrangeiros consistentes em busca dos altos juros pagos em reais. Além de operações para arbitragem, é esperado abertura de capital de empresas, com destaque para o lançamento de ações do Banco do Brasil.

Como de costume, o BC comprou dólares no mercado à vista. Informações oficiais mostraram que a autoridade monetária enxugou US$ 1,047 bilhão neste mês via leilões no "spot". Em maio, a quantia foi de US$ 4,172 bilhões.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)