A cadeia produtiva da Petrobras

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A Petrobras incentiva a indústria nacional com a compra de 75% de seus equipamentos e insumos no mercado interno. As encomendas da estatal em 2009 representaram 1,34% do Produto Interno Bruto (PIB) cerca de US$ 23,5 bilhões (R$ 42,21 bilhões).

O setor de petróleo e gás fomenta a geração de empregos, com a capacitação de cerca de 185 categorias profissionais de níveis básico, médio, técnico e superior. Nos próximos cinco anos, cerca de 200 mil pessoas serão capacitadas, um aumento de 140% em relação ao período de 2006 a 2010 (83 mil pessoas).

Bombas, compressores, válvulas e parafusos são exemplos das produções de fornecedores diretos e indiretos da Petrobras. Os investimentos no setor vão gerar oportunidades de US$ 190 bilhões até 2013, segundo o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp).

Coordenador executivo do Prominp, José Renato de Almeida destaca que os pedidos da Petrobras representam grande estímulo para a indústria nacional. Segundo ele, a estatal contribuiu para fortalecer o setor, que agora está preparado para ampliar a capacidade e atender à demanda prevista com a exploração do pré-sal.

O grande desafio da indústria nacional é a sustentabilidade a longo prazo e as perspectivas apontam para um cenário de demanda muito positivo avalia.

Almeida explica que as encomendas da Petrobras estão divididas em quatro segmentos: exploração e produção; refino e petroquímica; gás e energia; e transporte marítimo.

O aumento de 57% de conteúdo nacional em 2003 para 75% no ano passado é um avanço muito grande, já que fortalece a indústria e gera empregos, segundo Gilson Freitas Coelho, diretor executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Para ele, os contratos nacionais da Petrobras também ajudam a aumentar a competitividade das empresas.

Só nas encomendas da Transpetro, subsidiária da Petrobras, a indústria naval vai alcançar um nível mínimo de nacionalização, sendo 65% na primeira fase e 70% na segunda. Ao todo, são 49 petroleiros do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef). O presidente da subsidiária, Sergio Machado, explica que o maior desafio foi mostrar ser possível desenvolver a indústria interna.

O lançamento do primeiro navio brasileiro ao mar depois de 13 anos marca o momento histórico em que a indústria nacional volta a ter competitividade mundial frisa Machado.

A ex-secretária municipal de Cultura Jandira Feghali destaca que a Petrobras, por ser do povo brasileiro, tem como função o desenvolvimento nacional. Os brasileiros querem a Petrobras de hoje, retomada no governo Lula, que fortalece a indústria nacional, gera milhares de empregos, reduz custos de importação, aumenta a arrecadação e freia perdas com o afretamento de navios estrangeiros , defende.

Para o diretor da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), Joaquim Maia, a indústria nacional deve ser protegida e incentivada como é feito em todos os países. Para ele, a Petrobras é fundamental como indutora do setor. Ele diz que a previsibilidade de demanda garante a sustentabilidade da cadeia produtiva.

Trabalhar com a Petrobras também serve como cartão de visitas para as empresas ressalta Maia. Vender para a estatal agrega valor e ajuda a abrir novos negócios.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, explica que a política da entidade é desenvolver com os demais segmentos de navipeças o aumento do conteúdo local. Em 2009, foi criado um comitê para começar uma ação conjunta entre estaleiros e indústria fornecedora para aumentar o índice local de navios.