Curva de juros futuros se ajusta ao Copom

SÃO PAULO, 10 de junho de 2010 - A quinta-feira está sendo de ajuste na curva de juros futuros com os agentes financeiros avaliando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que decidiu ontem subir a taxa Selic de 9,50% para 10,25 % ao ano. Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) se ajustavam para cima, pois, havia no mercado quem estimasse aumento de 0,50 ponto percentual nos juros.

O DI com vencimento em janeiro de 2011 projeta taxa de 11,06%, ante 11,03% do fechamento de ontem. Janeiro de 2013 registra taxa de 12,13%, frente aos 12,08% da véspera.

Inês Filipa, economista da ICap Brasil, comenta que a decisão do Copom veio sem surpresas, com o colegiado do Banco Central (BC) elevando os juros em 0,75 ponto percentual, em linha com as expectativas majoritárias do mercado.

A economista avalia ainda que após duas reuniões com certa volatilidade no mercado de ativos e muitas especulações, o Copom conseguiu ancorar as expectativas dos agentes econômicos, o que permite que as decisões de política monetária sejam mais eficientes.

O crescimento acima do potencial da economia corrobora a alta dos juros, assim como a expectativa de inflação ao menos 1 ponto percentual acima da meta central, com o BC buscando ancorar as expectativas do mercado e trazer o nível de preços para o centro da meta no médio e longo prazo.

Ainda segundo Inês, o fechamento da taxa Selic no final do ano ainda não esta definido, dependendo do tipo de acomodação que poderemos observar na economia a partir do segundo trimestre, após desempenho explosivo no início do ano, em linha com o cenário de retomada da economia e incentivos monetários e fiscais.

"O tamanho do ajuste dos juros pode se repetir em julho ou poderá ser revisado, de acordo com os riscos inflacionários correntes e que possam contaminar os preços à frente", avalia. A Selic poderá fechar o ano com um intervalo entre 11,25% (menor probabilidade) e 12,25%, com taxa mais provável estimada pela Icap de 11,75%.

Na agenda do dia os agentes repercutem o resultado do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), que desacelerou para 0,08% na primeira quadrissemana de junho, inferior ao índice do mês de maio, que foi de 0,22%.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)