Melhora externa favorece queda do dólar

SÃO PAULO, 9 de junho de 2010 - O bom humor dos mercados internacionais contagiou os negócios no Brasil nesta quarta-feira, em meio às expectativas de que a China anuncie forte crescimento das exportações em maio. As principais bolsas de valores acumularam ganhos durante o dia, enquanto o preço das commodities caíram e do dólar também. No fim do dia, a moeda norte-americana recuou 0,75% frente ao real, vendida a 1,848.

Com os números antecipados por fontes, as exportações chinesas devem ter crescido 50% em maio, a inflação acelerado para 3,1%, em base anual e os novos empréstimos recuaram para 630 bilhões de yuans. Os dados oficiais do gigante asiático saem até o fim de semana.

"Se confirmados, os números traçam um cenário favorável para a atividade chinesa, que ao que tudo indica, não saiu dos trilhos por conta da crise europeia", frisa um operador.

Do outro lado do oceano, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke afirmou que a economia dos Estados Unidos deverá continuar a crescer neste ano e no próximo, mas não em ritmo suficientemente forte para corrigir o mercado de trabalho e cortar o enorme déficit orçamentário. Já o Livro Bege apontou que a atividade econômica melhorou, desde o último relatório, em todos os distritos - apesar de muitos terem reportado que o ritmo de crescimento foi moderado. Segundo o documento, os gastos dos consumidores e a atividade turística aumentaram, contribuindo para a modesta expansão da economia.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve finalizar a reunião de dois dias com novo ajuste de 0,75 ponto percentual na Selic, atualmente em 9,5% ao ano. "A evolução do cenário desde a última reunião continuou evidenciando a materialização de alguns dos principais riscos ao cenário inflacionário", finaliza um especialista.

Para o diretor-executivo da NGO, Sidnei Moura Nehme, o posicionamento dos bancos, vendidos em mais de US$ 7 bilhões, indicam a intensão dessas instituições, assim que clarear as tensões em torno da crise da zona do euro, tendem a apreciar o real. Em maio, os bancos fecharam o mês com posições vendidas de US$ 3,278 bilhões no mercado à vista e com base nos números do BC devem telas ampliado para US$ 4,2 bilhões até 4 de junho, o que os deixa "vendidos", considerado à vista e futuro, num montante de US$ 12 bilhões, sendo este o tamanho das vendas a descoberto, ou seja, da aposta no real.

Segundo dados do BC, o fluxo cambial ficou positivo de US$ 2,605 bilhões em maio, mas o BC retirou do mercado US$ 4,172 bilhões com seus leilões. Já em junho até dia 4, o fluxo cambial está negativo em US$ 267,0 milhões e a despeito disto, o BC retirou mais US$ 746 milhões com seus leilões. "Assim, exportadores devem ainda aproveitar o momento, enquanto importadores e devedores de outras naturezas ao exterior devem aguardar", prevê a corretora em relatório.

O BC manteve a rotina e comprou dólares no mercado à vista.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)