Inflação é foco dos DIs, enquanto mercado aguarda Copom

SÃO PAULO, 9 de junho de 2010 - A quarta-feira foi de agenda recheada com novos dados importantes sobre a inflação no Brasil refletindo sobre a curva de juros futuros que se ajustou para cima. Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 fechou com taxa anual de 11,05%, ante 11,01% do ajuste anterior.

Pela manhã foi divulgado o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que registrou relevante desaquecimento no mês de maio, variação de 0,43%, dentro do esperado pelo mercado. "Por outro lado, na parte dos núcleos, os índices mostraram desempenho pior se comparado com o mês anterior, destaque para o impacto do reajustes de alguns preços administrados, grupo que subiu de 0,14% para 0,33% nesta apuração", avalia Inês Filipa, economista da ICap Brasil.

Ainda segundo a economista, o IPCA-EX, núcleo que exclui combustíveis e gêneros alimentícios, passou de 0,43% para 0,55%, e o núcleo que reduz o peso dos itens mais voláteis subiu de 0,43% para 0,58%. "Apesar do pior cenário dos núcleos, o índice geral mostrou bom desempenho, registrando algumas altas sazonais dentro do estimado", ressalta. Para junho, Inês estima contínuo arrefecimento do IPCA, com variação em torno de 0,32%.

Economistas comentam que a percepção de que o núcleo do IPCA ainda não desacelerou fortalece as apostas de que o colegiado do Banco Central (BC) irá manter o aperto monetário nos próximos meses. Hoje à noite o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgará a taxa Selic para este mês. A sondagem realizada pela Agência Investimentos e Notícias (IN) com 15 instituições financeiras, mostrou que dos bancos consultados, 12 estimam aumento de 0,75 ponto percentual e três instituições financeiras acreditam em elevação de 0,50 ponto. Atualmente, a taxa Selic está em 9,50% ao ano.

Outro dado divulgado nesta manhã foi o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) que subiu 1,57% em maio, superando a alta de 0,72% em abril. O dado veio próximo ao teto das expectativas e acima da mediana de 1,30%.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)