Construção civil se recupera ao nível pré-crise

SÃO PAULO, 9 de junho de 2010 - A percepção dos empresários da construção civil em relação ao desempenho de suas empresas voltou em maio ao patamar mais alto de toda a série histórica da Sondagem Nacional da Indústria da Construção, realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e pela fundação Getúlio Vargas e o Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), com uma amostra de 218 empresários do setor em todo o país.

Nesta 43ª edição da Sondagem da Construção, o indicador voltou aos 60 pontos, nível equivalente ao observado em igual mês de 2008, último recorde registrado pela pesquisa (numa escala de 0 a 100 pontos, resultados acima de 50 denotam otimismo ou percepção favorável).

De fato, a cada sondagem realizada desde maio de 2009, vêm crescendo sistematicamente as perspectivas de desempenho dos empresários -o indicador subiu 20,5% em um ano. Segundo a FGV/Ibre, este otimismo está fortemente relacionado às perspectivas, também bastante positivas, para o restante da economia. A recuperação do investimento observada desde o segundo semestre do ano passado vem abrindo novas frentes de negócio, além da imobiliária, para os empresários do setor.

No entanto, no que tem sido um problema recorrente no país, a expansão da infraestrutura, a oferta de mão de obra qualificada e a capacidade produtiva da indústria ainda não conseguem avançar de forma a garantir a sustentabilidade desse crescimento. O resultado disso é que, mais uma vez, os aumentos de preço e a falta de insumos surgem como ameaça a vôos mais altos da economia e, mesmo com a recuperação plena do nível de atividade do setor, cresceram as preocupações com a evolução da inflação e dos custos setoriais.

Os dois indicadores continuaram se deteriorando rapidamente em maio (quedas de 30,3% e 8,5%, respectivamente, no trimestre), ficando próximos de atingir o recorde negativo também observado em 2008 (pontuações abaixo de 50 indicam pessimismo ou perspectiva desfavorável).

A despeito da mudança da política monetária que estabeleceu novo ciclo de elevação da taxa de juros, não houve alteração significativa no indicador de dificuldades financeiras. Vale notar que desde novembro de 2009, o indicador atingiu um patamar acima de 50, o que representa, neste caso, uma percepção pessimista.

(Redação - Agência IN)