Servidores entram em greve contra rigor fiscal na Espanha

SÃO PAULO, 8 de junho de 2010 - Os funcionários públicos espanhóis estavam em greve nesta terça-feira na Espanha e protestaram em todo o país contra o duro plano de austeridade anunciado pelo governo socialista para baixar o déficit, que inclui cortes de salários nesse setor.

A essa paralisação, à qual foram chamados em torno de 2,6 milhões de servidores, poderá seguir-se uma greve geral, que os sindicatos não descartam caso o governo aprove uma reforma trabalhista sem um acordo com os trabalhadores e empresários.

A greve foi seguida por 11,85% dos trabalhadores, sem contar os setores de saúde e educação que ficaram de fora, segundo o governo, cifra muito inferior aos 75% estimados pelos principais sindicatos, as Comissões Operárias (CCOO) e a UGT.

O secretário-geral da CCOO, Ignacio Fernández Toxo, acusou o governo de "maquiar" os dados".

Os funcionários públicos protestam contra o corte de 5% de seus salários a partir deste mês e contra o congelamento em 2011, decidido em maio pelo governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero.

Em Madri, milhares de pessoas concentraram-se pela manhã diante do Ministério da Economia e, à tarde, houve uma passeata na praça central Cibeles debaixo de chuva.

Os cortes "deveriam ter sido aplicados àqueles que geraram a crise, às instituições financeiras", disse Miguel Angel Escolano, 47 anos, mecânico ferroviário que perderá ? 900 dos ? 30 mil anuais que ganha.

Esse corte faz parte de um rígido pacote de medidas de rigor fiscal adotadas por Zapatero para tentar reduzir o alto déficit público, que foi de 11,2% no ano passado, diminuindo os gastos públicos em ? 15 bilhões este ano e no próximo.

O governo tomou tais medidas pressionado por seus sócios da zona do euro e pelos mercados.

Zapatero anunciou na semana passada que o governo aprovará a reforma em 16 de junho, apesar de não ter havido um consenso com trabalhadores e empresas.

A reforma trabalhista, recomendada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pretende fomentar o emprego com um modelo de contrato que inclua uma indenização por demissão mais barata, em um momento em que o desemprego supera 20% da população ativa na Espanha.

O plano de austeridade inclui também o congelamento das aposentadorias e a supressão do "cheque bebê" de ? 2,5 mil, entre outras.

Esse ajuste ocorre em um momento em que a economia sai timidamente da recessão iniciada no fim de 2008, a um ritmo mais lento que seus sócios europeus. No primeiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1%.

(Redação com AFP - Agência IN)