Dados do PIB e discurso de Bernanke valorizam Ibovespa

SÃO PAULO, 8 de junho de 2010 - principal índice acionário da BM&FBovespa abriu em alta e se mantém em terreno positivo graças ao vigor dos números divulgados hoje do Produto Interno Bruto (PIB) do País e o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Diante dessa conjuntura otimista, o Ibovespa opera com valorização de 1,16%, aos 61.889 pontos. O giro financeiro da bolsa segue em R$ 2,26 bilhões.

O mercado recebeu com bastante euforia os dados do PIB brasileiro no primeiro trimestre. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) houve expansão de 2,7% ante o último trimestre de 2009 e de 9,0% face o mesmo período do ano anterior, puxado, principalmente, pelo desempenho da indústria, o consumo das famílias e pelo elevado crescimento nos investimentos, de 18% - o melhor na série histórica desde 1995.

"O resultado é estrondoso em relação aos valores do ano anterior e mostra uma recuperação mais do que consistente da economia brasileira diante do cenário mundial", afirma Bruno Lembi, sócio da gestora de recursos M2 Investimentos.

Perante este elevado crescimento, as empresas do setor imobiliário registravam os maiores ganhos na BM&FBovespa, impulsionadas pela expectativa futura de expansão dos investimentos e de novas construções. Segundo Lembi, "contribui ainda para a alta dos papéis a captação recorde registrada da poupança, 25% a mais do que o apontado em abril, o que vai disponibilizar mais crédito imobiliário no mercado". Há pouco, Cyrella subia 1,48%, Agre avançava 1,12%, Brookfield valorizava 1,99% e Gafisa (ON) expandia 1,42%, todas em relação aos papéis ordinários.

A Petrobras - que exerceu decisiva influência no índice nos últimos dois dias - também gera expectativas e vê suas ações (PN) valorizarem 1,22% nesta terça-feira. Inicia-se hoje a votação no Senado sobre o marco regulatório do pré-sal, sinalizando que o processo sobre a capitalização da estatal vai mesmo ocorrer.

Apesar da crise europeia e de seus desdobramentos, influenciou nas negociações no Brasil o discurso de Ben Bernanke, presidente do Fed dos EUA, que tentou acalmar os mercados quanto à recuperação norte-americana. "Apesar da crise na Europa, meu melhor palpite é que vamos continuar a recuperação, mas não vai ser fantástica", disse Bernanke no Woodrow Wilson Center, destacando que, mesmo com crescimento, a taxa de desemprego nos Estados Unidos se recuperará de forma gradual.

Ainda no front externo, a Fitch recomendou que o Reino Unido deve diminuir o seu déficit em 1% ao ano para manter o seu rating em AAA. No entanto, Lembi ressalta que "o mercado não deve se preocupar muito com essas notícias, ao contrário, daqui pra frente a tendência é de diminuições cada vez mais frequentes das notas dos países europeus devido a um ajuste natural em decorrência da conjuntura econômica atual da região".

(Sérgio Vieira - Agência IN)