Bolsas titubeiam, mas dólar firma trajetória e cai

SÃO PAULO, 8 de junho de 2010 - Apesar da queda nas principais bolsas de valores, o real manteve-se valorizado frente ao dólar nesta terça-feira, ancorado pelos bons números da economia nacional. A moeda norte-americana fechou em baixa de 0,85%, vendida a R$ 1,862.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) houve expansão do PIB de 2,7% no primeiro trimestre de 2010 ante o último de 2009 e de 9% frente ao mesmo período do ano anterior, puxado, principalmente, pelo desempenho da indústria, o consumo das famílias e pelo elevado crescimento nos investimentos, de 18% - o melhor na série histórica desde 1995. Em 12 meses, o PIB acumula alta de 2,4%.

O discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke também corroborou com o cenário. O chairman afirmou que a recuperação econômica do país está tomando força e que considera acertadas as medidas tomadas pelos líderes europeus.

Na avaliação de Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK, a crise na zona do euro não deve afetar de forma importante o cenário macroeconômico global de 2010, já que os mercados emergentes continuam crescendo e a economia dos EUA deve voltar ao seu ritmo. "E ainda que o cenário externo esteja carregado de dúvidas, o nível de reservas brasileiras, a boa posição do País no cenário global e o alto diferencial de juros praticados aqui limitam desvalorizações muito acentuadas da moeda brasileira, o que só ocorreria se algum fato novo e relevante negativo apontar para a concretização de um cenário externo muito caótico", destaca, ressaltando que atual patamar do dólar, acima de R$ 1,80, é mantido pelas compras do Banco Central, que somam US$ 12 bilhões no ano.

Mundo afora, o drama europeu continua alimentado por novas notícias negativas. Nesta terça, enquanto avaliavam o plano econômico da Hungria, os investidores digeriram as declarações da agência Fitch de que o Reino Unido enfrenta enorme desafio fiscal e que precisa acelerar os planos para reduzi-lo. Com isso, o euro teve novo dia de perdas.

Mantendo a rotina, o Bacen comprou dólares no mercado à vista. A taxa de corte ficou em R$ 1,8623.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)