Tráfego aéreo doméstico vai triplicar nos próximos 20 anos

SÃO PAULO, 31 de maio de 2010 - O mercado interno brasileiro para o transporte aéreo de passageiros deve mais do que triplicar de tamanho nos próximos 20 anos. O advento da Copa do Mundo de 2014, da Olimpíada de 2016 e o próprio crescimento da renda do brasileiro, que vai possibilitar maior participação de uma demanda em potencial são alguns dos fatores conjunturais que refletirão nessa escalada do setor, de acordo com o relatório sobre o setor aéreo divulgado pelo nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O instituto, entretanto, acrescenta que as previsões ocorrerão desde que "seja considerada a hipótese conservadora de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%. Estas taxas de crescimento poderão ser ainda maiores, se as restrições de capacidade no Terminal São Paulo - Congonhas, Guarulhos e Viracopos - forem resolvidas".

O Brasil encontra-se em um patamar em que a elasticidade de crescimento da demanda em relação ao crescimento de PIB ainda permanece alta. Ao contrário de economias mais amadurecidas, em que a elasticidade declina, o país tem um grande potencial de crescimento do mercado. "No período 1987-1996, enquanto o PIB teve crescimento médio anual de 1,8%, o número de passageiros - quilômetro transportados em aviões cresceu apenas 2%. No entanto, no período 1997-2006, o crescimento do PIB foi de 2,4%, enquanto a movimentação de passageiros no transporte aéreo cresceu 9,7% a.a. Somente entre 2004 e 2006, o crescimento foi de 18,8%. Para uma taxa de crescimento do PIB de 3,5% nos próximos 20 anos, o crescimento da demanda poderá alcançar a média de 9% anuais", aponta.

O ambiente econômico favorável e o potencial de mercado justificam o otimismo gerado, apesar da ampla necessidade de investimentos em infraestrutura. Por uma série de razões apontadas, tais como a remoção do gargalo Varig, o crescimento dos serviços aéreos de baixo custo, as novas práticas de gestão preço/yield, o crescimento do poder aquisitivo em um ambiente de estabilidade da moeda, o país poderá se beneficiar de uma elevação de forma consistente da demanda pelo transporte aéreo.

A amplitude e o aprofundamento do processo de globalização favorecem uma expansão sem precedentes no transporte de cargas aéreas, ampliando as perspectivas para o desenvolvimento do transporte aéreo de cargas - doméstico e internacional - no Brasil nos próximos 20 anos.

O crescente congestionamento do espaço aéreo, especialmente em torno dos hubs (aeroportos de conexões na malha), favorecem um processo amplo de modernização, tanto pela incorporação de novas tecnologias de controle do espaço aéreo e de segurança de voo - satélites geoestacionários, por exemplo -, quanto de aperfeiçoamento dos recursos humanos, no caminho aberto pela América do Norte e União Europeia.

(SV - Agência IN)