Investidor avalia investimentos no final do mês

SÃO PAULO, 31 de maio de 2010 - O mês de maio chegou ao fim e o investidor fica cada vez mais atento aos investimentos pessoais. Os Fundos de Renda Fixa puros devem fechar o mês de maio com rendimento bruto na faixa de 0,55% a 0,85%, pouco acima dos Fundos DI que devem fechar o mês entre 0,50% e 0,80%, dependendo da taxa de administração do fundo. A avaliação é de Fábio Colombo, administrador de investimentos.

Os Títulos indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cuja projeção do mercado é inflação de 0,48% para maio, devem fechar o mês com bons resultados, com rendimento bruto na faixa de 0,75% a 1,10%, dependendo do prazo do papel.

Por outro lado, os Títulos indexados ao Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), que registrou inflação de 1,19% em maio, devem fechar o mês com excelentes resultados, bem acima dos demais fundos de aplicações a juros, com rendimento bruto na faixa de 1,40% a 1,75%, dependendo do prazo do papel.

Colombo comenta que o mês de maio foi uma sequência dos eventos negativos ocorridos em abril, com a agravante que a percepção do mercado sobre uma solução para a crise iniciada na Grécia foi se deteriorando. "Receio da crise se espalhar para outros países, como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, com risco de eventuais moratórias, foi o estopim para que quedas, muito fortes, ocorressem nas bolsas européias e se espalhassem pelo mundo afora", friza. "Desse modo, o euro e a maioria das moedas tiveram fortes quedas em relação ao dólar, aliado a valorização do ouro no mercado internacional e a procura por títulos do governo norte-americano", avalia.

Ainda segundo o administrador, em vista da situação, o Banco Central Europeu e a União Européia lançaram um enorme pacote de ? 750 bilhões para ajudar os países em dificuldades; no primeiro momento, a reação foi positiva, para depois a situação se deteriorar novamente.

E na sequência, vários países europeus lançaram planos de austeridade, com redução de gastos governamentais, com intuito de melhorar a sua solvência. Aliado a estes fatos, no final do mês tivemos o rebaixamento da nota de crédito da Espanha, pela Agência Fitch, e também, o desentendimento entre as duas Coreias, fatos que ajudaram a deteriorar, ainda mais, os mercados. Como consequência, a maioria das bolsas apresentou resultados bem negativos no mês, com quedas, em dólares, na faixa de 5 a 20%. O Ibovespa não foi exceção, com queda, em torno, de 14% em dólares. Do lado cambial, o euro e o real se desvalorizaram, ao redor de 8% e 4%, respectivamente, frente ao dólar.

No lado doméstico, as projeções de crescimento do Brasil, para 2010, continuam se elevando, na faixa de 6% a 7% ao ano. Este fato indica um aquecimento excessivo da economia brasileira, o que traz à discussão a dúvida: o Banco Central será ou não mais conservador nos próximos aumentos de juros nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Outro ponto que continua preocupando o investidor é o rendimento real líquido das aplicações a juros, que, em sua grande maioria, está perdendo para a inflação neste ano.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)