Má perspectiva leva agência Fitch a rebaixar classificação da Espanha

Marta Nogueira, Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO - A desconfiança em relação a situação econômica da Espanha provocou, pela segunda vez, o rebaixamento da classificação da dívida do país. Desta vez, a agência de rating Fitch que reduziu a nota de AAA para AA+. Especialistas acreditam que a recessão na Europa é progressiva, já que os ajustes econômicos precisam ser mais amplos do que os pacotes propostos até agora. Portugal, Irlanda e até mesmo Itália sofrem riscos de piora.

A agência de classificação Standard & Poor's já havia reduzido a nota da Espanha de AA+ a AA no dia 28 de abril, quando estimou que as más perspectivas de crescimento, a médio prazo, freariam a redução do déficit público.

Os pregões na Europa já haviam sido encerrados quando foi feito o anúncio. O ex-diretor de política monetária do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas destaca que as medidas anunciadas podem não dar certo e isto contribui para insegurança dos mercados. Para ele, o anúncio da agência de risco deve provocar o aumento da crise financeira e consequentemente prejudicar ainda mais a economia da região.

Déficit explode

O déficit público da espanha chegou a 11,2% do Produto Interno Bruto em 2009 e o governo precisou aprovar medidas impopulares de austeridade para tentar reduzi-lo a 6% em 2011 e a 3% em 2013.

Os cortes propostos ajudam no curto prazo, mas não são a solução para a crise atual. A demora para aprovações dos planos de austeridade e as divergências na zona do euro também criam incertezas no mercado que preferem rebaixar a avaliação dos papéis avalia Carlos Thadeu.

Para Robson Gonçalves, professor de macroeconomia da FGV Management, o resultado do anúncio não deve trazer impactos imediatos para a economia brasileira. De acordo com ele, o risco brasil está mais baixo que do que de países como a Grécia e a avaliação de rating está alta.

No entanto, a busca pela renda fixa pode ser um problema. Com medo da insegurança do mercado internacional, investidores acabam buscando outras formas de se sustentar ressalta Gonçalves.

Carlos Thadeu diz ainda que o passo mais importante agora é a renegociação das dívidas, principalmente da Grécia. Segundo ele, os credores não querem renegociar para não terem perdas, mas isso é fundamental para a economia europeia. E enquanto isto não acontecer, os papéis devem continuar caindo de preço. As agências devem continuar rebaixando a nota de risco antes os papéis caiam no mercado.

A recuperação vai ser lenta e gera volatilidade por falta de definições. A Europa não tem um Banco Central que possa comprar os títulos como foi feito nos Estados Unidos, são muitos países e vários BCs com economias e realidades diferentes entre si disse Carlos Thadeu.

A agência Fitch antecipa que apesar de a dívida do governo e seu custo seguirem nos padrões AAA , o processo de ajuste econômico será mais difícil e prolongado para Madrid do que para outras economias com a mesma classificação. A Espanha, golpeada em cheio pela explosão da bolha imobiliária, entrou em recessão no final de 2008, demorando a retomar o crescimento.

Alguns observadores estimam que são necessárias várias reformas para mudar o modelo econômico espanhol, que até agora se baseia em grande parte no setor da construção civil. O PIB cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre em relação ao quarto de 2009 e o governo prevê um encolhimento da atividade de 0,3% no conjunto do ano.

A notícia representa um novo golpe para o governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero, que nas últimas semanas viu-se pressionado pelos mercados e seus parceiros europeus, devido ao déficit público do país. Alguns temiam que a Espanha entrasse numa crise fiscal parecida com a da Grécia.

Com agências