Investidor monitora inflação de perto e taxas dos DIs cedem

SÃO PAULO, 28 de maio de 2010 - Mais um indicador de inflação veio abaixo do estimado pelo mercado, desta vez foi o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) que registrou variação de 1,19% em maio deste ano, em abril, a variação ficou em 0,77%. Na BM&FBovespa, os agentes financeiros aproveitam o dia para ajustar a curva de juros futuros para baixo. Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 apontava taxa anual de 10,97%, ante 11,01% do ajuste anterior.

Dentre os componentes do IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 1,49% em maio, ante 0,72% no mês anterior. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caminhou no sentido inverso e fechou maio com 0,49% de alta (em abril foi de 0,73%).

Gabriel Goulart, analista da Mercatto Investimento comenta que os últimos números de inflação foram mais tranquilos, no entanto, ainda continuam em níveis elevados. "Ainda é muito cedo para se falar em melhora da inflação, diante das expectativas que continuam elevadas", ressalta. "A estimativa média do mercado para o IPCA deste ano ainda está nos 5,3%, contra meta central de 4,5%", lembra.

Para Goulart, diante de uma inflação ainda acelerada e atividade aquecida o colegiado do Banco Central (BC) deve promover nova elevação de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, fixada em 9,50% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para o dia 8 e 9 de junho.

Por outro lado, o analista ressalta que um agravamento da crise europeia pode levar a uma interrupção da retomada do crescimento nos países desenvolvidos e provocar um movimento de deflação com impacto na inflação brasileira, possibilitando elevações menores na taxa Selic. "A aposta de que o Copom poderá subir a taxa Selic em um ponto porcentual na sua próxima reunião ficou enfraquecida", disse.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)