Brasil oferece ajuda para a União Europeia

Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO - O Brasil está disposto a cooperar para a recuperação da União Europeia (UE) e já atua no Fundo Monetário Internacional (FMI) para facilitar a concessão de ajuda aos países com problemas, destacou o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. O comércio nacional com a zona do euro movimenta aproximadamente US$ 110 bilhões, disse Garcia.

A recuperação dos países da zona do euro é importante para o Mercosul. Queremos ampliar as trocas comerciais, assim como receber mais investimentos e mais bens de capital europeus explicou Garcia quinta-feira no 3º Fórum Brasil-União Europeia.

Em relação às negociações de livre comércio entre o Mercosul e a UE, Garcia disse que os europeus precisam aceitar que não vão assinar acordos semelhantes aos firmados com o Chile, Peru e Colômbia. Segundo ele, as indústrias brasileiras precisam ser preservadas.

É preciso encontrar um equilíbrio entre a abertura industrial, pelo Mercosul, e aumentar as concessões no setor agrícola pela Europa. A UE tem também que moderar o apetite no segmento industrial diz.

Garcia frisou que o país tem interesse na recuperação europeia, já que estas economias influenciam diretamente o cenário internacional. Ele citou a fuga dos recursos internacionais do mercado europeu durante crises, mas lembrou os casos das montadoras Volkswagen e Fiat, que atualmente produzem mais veículos no Brasil do que nos seus países de origem.

Pode existir preocupação de que os problemas na zona do euro afastem investimentos previstos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Mas os empresários devem lembrar que os países emergentes, como o Brasil, são um refúgio seguros para os recursos europeus destaca.

Solução

Deslocar os investimentos europeus para o Brasil pode uma das saídas para a crise financeira atual da UE, destaca o vice-presidente executivo do Instituto de Comércio Exterior da Espanha (Icex), Ángel Martín Acebes. Para ele, a situação econômica brasileira também é um fator que impulsiona o deslocamento do foco de atuação de empresas.

Quando o mercado interno retrai, como na Espanha e em outros países europeus, a exportação é torna-se uma oportunidade ainda maior defende Acebes.

O executivo espanhol conta que no primeiro trimestre deste ano as exportações do país aumentaram 15% em relação ao ano anterior. Para ele, a exportação ter uma estratégia comercial e deve ser de médio prazo para que tenha retorno.

Acebes afirmou que a saída da crise da UE passa pela abertura comercial e redução do protecionismo. Ele destaca que a Espanha já tem a economia aberta e um acordo entre Mercosul e a zona do Euro vai ficar mais fácil na próxima reunião em junho.

A tendência é de redução do protecionismo europeu por causa da crise e o desafio deste acordo é político. Além disso, a integração dos dois blocos também precisa ser feita de maneira competitiva para os mercados avalia Acebes