Representantes cobram incentivos à energia eólica

SÃO PAULO, 18 de maio de 2010 - Cinco meses após a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) ter promovido o primeiro leilão brasileiro de energia eólica, representantes do setor energético avaliam a iniciativa como um sucesso e defendem a realização de novos leilões como forma de o governo estimular os investimentos nesta fonte de energia limpa e renovável e, assim, baratear o preço final.

Durante audiência pública realizada hoje pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), disse que o leilão representou a superação da ideia de que, embora seja vantajosa do ponto de vista ambiental, a produção de energia eólica não era economicamente atrativa, já que custaria muito mais que a energia térmica ou a hídrica.

"Nós quebramos um paradigma. Como o leilão atraiu muitos investidores, a competição fez com que os preços baixassem", afirmou Tolmasquim, se referindo aos R$ 148,39 a serem pagos, em média, pelo megawatt/hora (MW/h). Na época, o Ministério de Minas e Energia havia fixado um teto de R$ 189 o MWh e todos os projetos cujo preço ultrapassava este valor foram descartados.

"Vimos que temos condições de desenvolver, no Brasil, a energia eólica de forma a competir com outras fontes. Acho que, agora, a tendência é esta indústria se desenvolver", concluiu Tolmasquim.

Para Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Produção de Energia Eólica (Abeeólica), o leilão está trazendo bons resultados para a indústria brasileira, que, com a segurança dos contratos já assinados, vem investindo na ampliação e na melhoria de seus parques. Contudo, para Simões, o governo ainda pode auxiliar o setor com relação aos custos.

"Para que possamos manter esta indústria de forma competitiva, é necessário manter os leilões exclusivos [para a energia eólica] por, pelos menos, dez anos, contratando nos mesmos patamares que foram contratados em dezembro de 2009 [1.805,7 megawatts]", defendeu Simões, que também reclamou dos custos para os empresários brasileiros.

Já para Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia Elétrica (Anace), o ideal seria que a energia eólica - hoje adquirida pelo governo como estoques a serem usados quando é necessário complementar a energia contratada pelas distribuidoras - passasse a ser oferecida também ao consumidor, que poderia se beneficiar da livre concorrência entre as empresas. As informações são da Agência Brasil.

(Redação - Agência IN)