Lupi: Brasil tem que parar com "complexo de inferioridade"

Luciana Cobucci, Portal Terra

BRASÍLIA - Um crescimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2010 é mais do que razoável para a realidade da economia brasileira. A avaliação foi feita nesta segunda-feira pelo ministro do Trabalho. Carlos Lupi defendeu um crescimento da economia brasileira acima de 7% e comparou o País a outras nações do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), bloco dos países emergentes.

"O Brasil tem que parar com esse complexo de inferioridade. Nós não podemos ter a 'síndrome da pequenez', não acreditar no nosso crescimento, no potencial da indústria, na capacidade do trabalhador. Estamos voltando aos níveis pré-crise, o crescimento é bom para o Brasil e para o mundo. Sou mais otimista que o (Guido) Mantega (ministro da Fazenda). A China cresce a dois dígitos há dez anos, porque o Brasil tem medo de crescer 7%?", disse.

Segundo Lupi, o recorde na geração de empregos em abril deste ano (que atingiu 305 mil, o segundo melhor mês da história do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho) mostra que o Brasil não corre risco de sofrer com inflação.

"Não podemos fazer da inflação o capeta da nossa vida. Se está crescendo emprego é porque está produzindo, é porque tem gente consumindo. É a básica lei da oferta e da procura. Se faltar produto para o público, aí sim tem risco de inflação. Temos muita gordura para queimar, temos muito que crescer. Se aumentou o mercado de trabalho é porque está produzindo. Quem fala em volta da inflação está sendo incoerente", afirmou.

Na última semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo não deixará o Brasil ter um crescimento maior que 7%, percentual projetado por alguns especialistas de mercado. O ministro do Trabalho considera que este percentual é "mais que razoável".

"Em 2010 temos que recuperar o que foi perdido com a crise no ano passado, não podemos nos apavorar, temos que ter tranquilidade pra ver que estamos retomando um ritmo de crescimento. Por isso, 7%, 7,5% é mais que razoável para a realidade da economia brasileira", disse.