Cautela ainda permeia negócios, mas viés é positivo e dólar cai

SÃO PAULO, 12 de maio de 2010 - A cautela deve continuar permeando o ambiente de negócios nos mercados globais até que novas medidas de redução expressiva do déficit fiscal dos países europeus, especialmente os dos países mais problemáticos desta região, restaure a credibilidade dos credores em relação à sustentabilidade de suas contas públicas.

Nesta quarta-feira, por enquanto, o viés é positivo. Os mercados iniciam o dia com valorização das bolsas europeias, dos futuros em Wall Street, dos preços das commodities e ganhos moderados do euro, à medida em que os investidores recebem números preliminares sobre a economia da zona do euro e de outros vários países do bloco, entre eles os da Grécia, Portugal, Espanha e Alemanha. Na região, o Produto Interno Bruto (PIB) europeu cresceu 0,2% no primeiro trimestre, superando estimativas. Na Itália, a alta do PIB foi de 0,5% e em Portugal de 1%. Na Espanha, o PIB mostrou contração de 1,3% e a Grécia de 0,8%.

Além da divulgação de balanços corporativos, o anúncio pelo governo da Espanha de novas medidas de ajuste fiscal para conter o crescente déficit do país contribui com o tom positivo. Entre as medidas foi anunciado um corte de 5% do salário dos funcionários, congelamento de benefícios previdenciários e corte de cerca de ? 6 bilhões de investimentos públicos entre 2010 e 2011.

Na visão da diretora de câmbio da AGK corretora, Miriam Tavares, se nenhuma surpresa negativa relevante ocorrer ao longo do dia, os ativos considerados de maior risco devem manter os ganhos iniciais desta manhã nos mercados internacionais e os preços dos ativos financeiros locais também devem se beneficiar deste contexto. "Neste caso, o dólar deve oscilar entre os R$ 1,76 e R$ 1,78, enquanto o Ibovespa deve operar um pouco acima dos 65 mil pontos", estima. Segundo ela, ao contrário, se no decorrer do dia alguma novidade negativa modificar para pior essas disposições iniciais dos players, o dólar deve continuar oscilando no intervalo de R$ 1,78 a R$ 1,80 e o Ibovespa pode romper os 64 mil pontos.

Instantes atrás, a moeda norte-americana cedia 0,39%, a R$ 1,776 na compra e R$ 1,778 na venda.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)