Vendas no varejo centra atenção do investidor

SÃO PAULO, 11 de maio de 2010 - As atenções dos investidores estão voltadas para as vendas no varejo no mês de março, que será divulgada amanhã. As projeções estão dispersas entre alta de 0,5% a 1,25%. Segundo analistas, todos os indicadores econômicos estão sendo analisados bem de perto pelo mercado para definir melhor as apostas para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Na reunião do Copom agendada para o dia 8 e 9 de junho, a ala majoritária do mercado estima novo aumento da taxa Selic em 0,75 ponto percentual, mas há no mercado quem estime elevação de 1 ponto. "O ciclo poderá ser maior ou menor de acordo com os dados que forem divulgados ao longo do trimestre", ressalta Inês Filipa, economista da ICap Brasil.

A economista estima uma taxa Selic de 11,25% no final do ano, mas se a economia se mantiver fortemente aquecida, o ciclo de ajuste será maior, podendo chegar ao nível de 12,00%. Atualmente, a taxa Selic está em 9,50% ao ano.

Há no mercado o temor de aperto monetário na China. A inflação chinesa marcou avanço de 2,8% em abril, a maior alta em 18 meses e bem acima do esperado pelos analistas, que, frente aos números, agora temem um aperto monetário para conter as pressões inflacionárias.

Internamente, a inflação continua se mostrando acelerada. Nesta manhã foi informado que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), acelerou para 0,49% na primeira quadrissemana de maio, superior ao índice do mês de abril, que foi de 0,39%. O resultado veio no teto das expectativas.

O economista da NGO corretora, Sidnei Moura Nehme, observa que a demanda do consumidor por crédito recuou 6% em abril na comparação mensal, de acordo com o Indicador Serasa Experian. "O que pode ser um dado positivo em termos de diminuição da pressão da demanda que pode se refletir na convergência da curva inflacionária", ressalta Nehme.

Ainda na agenda do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o índice de emprego na indústria cresceu 0,7% em março em relação a fevereiro, já descontados os efeitos sazonais. Este é o terceiro resultado positivo consecutivo.

Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informou que o emprego na indústria paulista registrou em abril a primeira queda percentual desde agosto do ano passado, mas ainda assim apresentou abertura de vagas de trabalho.

Diante de cenário cheio de dúvidas, a curva de juros futuros teve uma terça-feira volátil. Na BM&FBovespa o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 fechou com taxa anual de 11,12%, ante 11,10% do ajuste anterior.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)